O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega afirmou que a orientação econômica do PT contribui para impedir o avanço do Brasil rumo ao grupo de países ricos. Na avaliação do economista, o partido mantém concepções antigas e resiste a reformas estruturais necessárias para elevar a produtividade e sustentar o crescimento.
“O Brasil precisa de um partido de esquerda moderno, competitivo para se contrapor à direita e equilibrar o jogo político. O PT não é esse partido. O PT tem ideias equivocadas, precisa mudar para o bem dele e do país”, afirmou.
As declarações foram dadas em entrevista ao portal Poder 360 ao comentar as teses de seu livro “O Brasil ainda pode ser um país rico?”, no qual aponta fatores estruturais que, segundo ele, limitam o desenvolvimento econômico nacional.
Educação como principal entrave
Para o ex-ministro, o maior obstáculo ao crescimento é a baixa qualidade da formação educacional.
“A má qualidade da educação. A educação é peça fundamental para a preparação de mão de obra qualificada, lideranças empresariais e do setor público e para a inovação.”
Ele afirma que ganhos de produtividade — base da geração de riqueza — dependem diretamente desse processo.
“Para o Brasil ficar rico, ele tem que ter ganhos de produtividade maiores e mais rápidos do que os países ricos.”
Como contraste, cita o desempenho do agronegócio, impulsionado por tecnologia e pesquisa científica, enquanto a economia como um todo permaneceria fragilizada.
“A economia vai bem, como o governo diz? Não, está doente e cheia de disfunções.”
Risco de colapso fiscal
Maílson avalia que o país caminha para uma deterioração das contas públicas nos próximos anos por causa do aumento contínuo de despesas obrigatórias.
“Vai estrangular o governo. Em algum momento vai gerar um colapso e uma crise inflacionária.”
Segundo ele, o modelo fiscal estabelecido desde a Constituição de 1988 ampliou gastos antes de o país enriquecer.
“Montamos um Estado de bem-estar semelhante ao europeu em um país que não tinha ficado rico.”
Reformas necessárias
O economista defende mudanças estruturais, especialmente na Previdência e no orçamento.
“A principal delas é acabar com a vinculação de aposentadoria ao salário mínimo.”
Ele também propõe retirar vinculações constitucionais de receitas e ampliar privatizações.
“O Brasil pode começar a dar um salto no seu processo de crescimento, porque significará mais segurança jurídica, eficiência e produtividade.”
Papel do PT e eleições
Na avaliação do ex-ministro, o partido tende a resistir a essas mudanças mesmo diante de uma crise.
“Quando o colapso acontecer, o PT é contra todas as reformas.”
Ele também faz projeção política sobre o futuro da legenda.
“Mesmo se o PT ganhar as eleições em 2026, duvidamos que será competitivo nas eleições de 2030.”
Judiciário e juros
Maílson ainda critica decisões judiciais sem avaliação econômica.
“Uma sentença pode gerar a falência de uma empresa.”
Segundo ele, isso eleva custos do crédito no país e ajuda a explicar juros elevados.
O economista conclui que o Brasil possui condições naturais e empresariais para crescer, mas afirma que mudanças institucionais serão inevitáveis.
“O Brasil tem condições de recursos naturais, gente, empresas. Mas o Estado é um inibidor.”
