Ex-dirigentes da Reag se unem a investigados no caso Digimais
Brasília, Sexta, 26 de junho de 2026
Justiça

Ex-dirigentes da Reag se unem a investigados no caso Digimais

Nova estrutura reúne ex-executivos da gestora liquidada, empresário alvo da União e empresas citadas em investigações da Polícia Federal

Foto: Divulgação/Reag

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Por Redação

Após a liquidação da Reag Investimentos e as operações da Polícia Federal que investigam suspeitas de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e fraudes envolvendo fundos de investimento, parte dos antigos executivos da gestora reorganizou suas operações em uma nova estrutura que hoje administra bilhões de reais em ativos, segundo o Estadão.

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O novo grupo foi formado a partir da Asarock Asset Management, controlada pelo ex-diretor comercial da Reag, Gabriel Pupo Nogueira. A gestora passou a atuar em parceria com empresas do grupo ID, cujos sócios foram alvo da Polícia Federal nas investigações sobre supostas fraudes envolvendo o banco Digimais.

Segundo a apuração, a nova estrutura absorveu dezenas de fundos anteriormente administrados pela Reag e registrou crescimento acelerado. Atualmente, a Asarock administra cerca de R$ 15 bilhões, enquanto o grupo ID reúne aproximadamente R$ 40 bilhões em recursos sob administração.

A parceria também envolve fundos ligados ao empresário Lélio Vieira Carneiro Junior, antigo cliente da Reag. Ele responde a cobranças da União superiores a R$ 250 milhões e é apontado em ações judiciais por suposto uso de fundos de investimento para ocultação patrimonial. Lélio nega qualquer irregularidade e afirma que foi incluído indevidamente no processo.

Segundo a investigação, Gabriel Pupo assumiu o controle da Asarock após deixar a Reag. A empresa, originalmente sediada em Goiás, transferiu sua operação para a Avenida Faria Lima, em São Paulo, após sua entrada na sociedade. Fundos ligados a Lélio também migraram para a nova gestora.

Além dos recursos do empresário, antigos clientes da Reag também transferiram seus investimentos para a Asarock. Entre eles, há fundos ligados a concessionárias de transporte, hidrelétricas, empresas do setor de criptomoedas e o fundo da Arena Corinthians.

A administração fiduciária de parte desses fundos passou para empresas do grupo ID, controladas por Rodrigo Balassiano e José Roberto Giancoli Filho, ex-integrantes do Banco Máxima. Ambos foram alvo de buscas da Polícia Federal nas investigações relacionadas ao banco Digimais.

Conforme a reportagem, uma gestora vinculada ao grupo também teve o sigilo bancário quebrado durante a operação. A Polícia Federal apura a utilização de fundos de investimento para supostas irregularidades contábeis envolvendo o Digimais.

A expansão do grupo ocorreu poucos meses após a Operação Carbono Oculto, que investigou a Reag por suposto uso de fundos para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Na sequência das investigações, o Banco Central determinou a liquidação das empresas do conglomerado.

Em nota, a ID CTVM afirmou que adota “rigorosos padrões de governança” e que prestará todos os esclarecimentos às autoridades. A empresa negou integrar o mesmo grupo econômico da Asarock ou da Bless Capital e afirmou que atua de forma independente.

A Asarock declarou que Gabriel Pupo é seu único acionista desde setembro de 2025 e sustentou que a migração dos fundos ocorreu dentro das regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Segundo a empresa, a relação com o grupo ID é exclusivamente profissional.

Lélio Vieira Carneiro Junior afirmou que vendeu integralmente sua participação na Asarock antes da reorganização da empresa. Também declarou que não possui qualquer vínculo societário com a gestora e negou a prática de sonegação fiscal.

Já a Bless Capital informou que não integra o mesmo grupo econômico da ID e afirmou que todas as operações realizadas pela companhia seguem a regulamentação do mercado de capitais. A empresa também negou qualquer utilização de fundos para maquiagem contábil e declarou não ter sido formalmente comunicada sobre medidas adotadas pela Polícia Federal.

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