Coaf aponta repasse milionário da J&F a escritório ligado a operação com Toffoli
Brasília, Quarta, 17 de junho de 2026
Justiça

Coaf aponta repasse milionário da J&F a escritório ligado a operação com Toffoli

Relatório indica R$ 11,5 milhões a banca de baixo faturamento e risco de lavagem

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que empresas do grupo J&F Investimentos transferiram R$ 11,5 milhões a um escritório de advocacia em Goiânia com histórico financeiro incompatível com os valores movimentados.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Segundo o documento divulgado pelo Estadão, a banca pertence à advogada Maísa de Maio Marciano, que registrava faturamento mensal de cerca de R$ 9 mil. O Coaf classificou as transações como de “alto risco para lavagem de dinheiro” e apontou ausência de documentação que justificasse os repasses.

As transferências ocorreram em dezembro de 2023. A JBS enviou R$ 8 milhões no dia 15. Três dias depois, a J&F transferiu outros R$ 3,5 milhões.

No mesmo dia, a advogada repassou R$ 3,5 milhões ao advogado e empresário Paulo Humberto Barbosa. O nome dele aparece na compra, em 2025, da participação do ministro Dias Toffoli no Tayayá Resort.

Ainda segundo o relatório, no dia do recebimento dos valores da JBS, o escritório transferiu R$ 6,9 milhões ao BK Bank, instituição já citada em investigações da Polícia Federal do Brasil e do Ministério Público de São Paulo.

O alerta foi gerado por uma agência do Sicoob, em fevereiro de 2024, após identificar movimentações consideradas atípicas na conta da advogada. O endereço informado pelo escritório corresponde a uma sala compartilhada em Goiânia.

As empresas JBS e J&F afirmaram que os pagamentos referem-se a “serviços jurídicos prestados e comprovados”, com emissão de nota fiscal e recolhimento de tributos. Não foram detalhados os serviços nem a destinação final dos valores.

O relatório também aponta que o escritório foi aberto em 2018 com capital social de R$ 2 mil e patrimônio líquido de cerca de R$ 83 mil até 2022. Levantamentos indicam atuação limitada da advogada em processos judiciais.

Outras movimentações do grupo aparecem em investigações recentes. Em 2025, a J&F transferiu R$ 25,9 milhões a empresa ligada a Barbosa. Em outro caso, a JBS pagou R$ 11,3 milhões a uma consultoria que também recebeu recursos de instituição financeira.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade