O banco BTG Pactual acertou a compra das fazendas agrícolas do Grupo Handz, controlado pelo empresário Washington Umberto Cinel, que também comanda a Gocil, uma das maiores empresas de segurança privada do país.
Em março de 2025, o grupo obteve a aprovação do plano de recuperação judicial iniciado em setembro de 2023. O acordo prevê desconto de 40% sobre dívidas que superam R$ 1,7 bilhão.
Embora a Gocil seja o negócio mais conhecido, o grupo mantinha atuação relevante no setor agrícola. Do total da dívida apresentada, cerca de R$ 1 bilhão está concentrado em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e Fiagros. Banco do Brasil, Banco do Nordeste e Caixa Econômica Federal figuram entre os principais credores.
No processo de recuperação, as fazendas foram reunidas sob a holding Brangus Nova Olinda Participações Societárias, alvo da aquisição pelo BTG. Os ativos incluem propriedades voltadas à produção de cana-de-açúcar, arroz, soja e milho, nos estados de São Paulo, Rio Grande do Sul e Maranhão, além da criação de bovinos em áreas paulistas e gaúchas.
A alienação dos ativos tem como finalidade viabilizar o cumprimento do plano aprovado pelos credores, com geração de recursos destinados ao pagamento de obrigações do Grupo Handz. Após a quitação dos débitos previstos, os valores remanescentes poderão ser direcionados ao capital de giro ou a investimentos operacionais.
Procurados, o BTG Pactual e Washington Cinel informaram que não comentariam a operação.
A atuação do BTG no mercado de terras agrícolas ocorre após perdas registradas desde 2021 com recuperações judiciais de produtores rurais. As fazendas dadas como garantia vêm sendo arrendadas, e os valores obtidos são utilizados para remunerar cotistas dos fundos de terras agrícolas administrados pelo banco.
