A crítica do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) a governadores democráticos de direita, a quem ele acusou de se comportarem como “ratos” e de quererem “herdar o espólio” de seu pai foi um dos temas debatidos no programa Alive, do canal de Cláudio Dantas no Youtube, nesta segunda-feira (18).
Os comentaristas Paulo Kramer, Júlia Lucy, Carol Sponza e André Marsiglia apresentaram visões distintas sobre o episódio. Na publicação deste domingo, que acontece dias depois do lançamento da candidatura à Presidência de Romeu Zema, o filho do ex-presidente disse que os governadores se encostam no pai.
O cientista político Paulo Kramer concordou com o argumento central de Carlos Bolsonaro. Para Kramer, os governadores de direita que cresceram graças ao “bolsonarismo” são “devedores do Bolsonaro” e, em vez de focar apenas em suas pré-campanhas, deveriam estar “comprometidos com a restauração plena da democracia e da liberdade de expressão” no Brasil. Ele concluiu que o vereador tem um ponto “importante” em sua crítica.
Júlia Lucy disse ser “absolutamente contrária” a ataques públicos a políticos que compartilham de princípios da direita. Segundo ela, essa atitude gera desgaste e fornece argumento para esquerda. Júlia defendeu que as disputas deveriam ser resolvidas em privado e que o foco deve ser um “projeto de país”, e não o “endeusar” de uma única pessoa. Ela classificou a atitude de Carlos como “egoísta” e “pouco direcionada à criação de um projeto de país”.
A analista Carol Sponza destacou que o governador de Minas Gerais é um “aliado de primeira hora” de Bolsonaro e foi um dos primeiros a criticar abertamente os “abusos” do Judiciário. Sponza questionou o “sentido” de abrir fogo contra um aliado quando o “inimigo em comum” é o STF. Para ela, o objetivo deveria ser a “anistia” e o “fim do foro privilegiado”, e não atacar uma figura que colaborou para o crescimento da direita.
O especialista em direito constitucional André Marsiglia encarou a briga como um “ruído” que não deve ser visto com “maus olhos”. Ele afirmou que o confronto e o debate fazem parte da democracia, desde que não se usem “golpes abaixo da cintura”. Para ele, o pior neste momento é ser “morno” e querer ser bem-vindo em todos os lugares. Marsiglia defendeu que a discussão pública é válida e necessária.
