“Um dia você pode precisar”, relata Bittar sobre pressão por voto em Messias
Brasília, Quinta, 18 de junho de 2026
Política

“Um dia você pode precisar”, relata Bittar sobre pressão por voto em Messias

Senador diz ver ameaça velada em pedidos de apoio e questiona imparcialidade na sabatina do indicado ao STF

Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O senador Márcio Bittar (PL-AC) afirmou nesta quarta-feira (29) ter sido alvo de pressões para votar favoravelmente à indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita durante a sabatina do indicado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

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Segundo Bittar, abordagens de colegas e de interlocutores externos trouxeram um tipo de argumento que, para ele, ultrapassa o debate técnico. “Um dia você pode precisar”, relatou o senador ao descrever o teor dos pedidos de apoio.

Na avaliação do parlamentar, a frase sugere possibilidade de retaliação futura. “Mas o que é essa frase senão uma ameaça de que posso ser retaliado?”, questionou. Para Bittar, esse tipo de pressão compromete a análise isenta da indicação. “Acaba não prevalecendo o raciocínio da imparcialidade, mas se vai ser meu colega ou não”, afirmou.

Durante a sessão, o senador também fez considerações de caráter pessoal ao comentar sua postura na votação. Disse que sua maior preocupação é não “envergonhar” a memória do pai e das pessoas próximas.

Além das críticas ao ambiente de pressão, Bittar direcionou questionamentos a Messias sobre temas sensíveis. Entre eles, perguntou se o indicado tinha conhecimento prévio de irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e mencionou valores recebidos a título de honorários advocatícios, que, segundo o senador, superaram R$ 700 mil em um ano, mesmo diante de críticas públicas a rendimentos acima do teto.

A sabatina integra a etapa inicial do processo de indicação ao STF. Após a análise na CCJ, o nome segue para votação no plenário do Senado, onde a decisão final é tomada também em votação secreta.

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