Alerj aciona STF para que Douglas Ruas assuma governo do RJ interinamente
Brasília, Quarta, 10 de junho de 2026
Justiça

Alerj aciona STF para que Douglas Ruas assuma governo do RJ interinamente

Assembleia alega risco jurídico com permanência do presidente do TJ e pede definição sobre sucessão até decisão sobre eleições

Alerj. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o deputado estadual Douglas Ruas (PL), recém-eleito presidente da Casa, assuma interinamente o governo do estado. O pedido foi encaminhado nesta quinta-feira (23) ao ministro Luiz Fux.

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A iniciativa ocorre após a cassação da chapa do ex-governador Cláudio Castro e do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, decisão tomada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com isso, o comando do Executivo estadual passou provisoriamente ao presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, até a definição de novas eleições.

No entanto, a forma de escolha do próximo governador, se por eleição direta ou indireta, ainda está em análise no STF. O julgamento foi iniciado no início de abril, mas acabou suspenso após pedido de mais tempo para avaliação.

No documento enviado à Corte, a Alerj sustenta que a permanência do presidente do Tribunal de Justiça no cargo só se justificaria em caso de impedimento do chefe do Legislativo estadual. Segundo a Casa, essa condição deixou de existir com a eleição de Douglas Ruas para a presidência.

Para os deputados, a posse de Ruas no comando do Executivo restabeleceria a linha sucessória prevista na Constituição estadual, que coloca o presidente da Assembleia como primeiro substituto em caso de vacância do cargo de governador.

A Alerj também argumenta que a manutenção do atual arranjo pode gerar insegurança jurídica. Isso porque decisões tomadas pelo chefe interino do Executivo — como nomeações, decretos orçamentários e suspensão de licitações — poderiam ser questionadas futuramente, caso o STF entenda que ele não deveria permanecer na função.

No pedido, a Casa afirma que “a persistência do sucessor subsidiário projeta, dia após dia, a possibilidade de edição de atos administrativos potencialmente viciados”, com impacto que ultrapassa a crise política.

Disputa paralela

A situação se torna mais complexa porque a própria eleição de Douglas Ruas para a presidência da Alerj também é alvo de questionamento no STF. O Partido Democrático Trabalhista (PDT) acionou a Corte pedindo a anulação do pleito.

A legenda alega que a eleição foi realizada de forma irregular, com votação aberta e mudanças no regimento interno sem o devido processo legislativo. Também aponta que o processo ocorreu em prazo reduzido, logo após a retotalização dos votos das eleições de 2022, o que, segundo o partido, comprometeria a legitimidade da escolha.

Outro ponto levantado é que o voto aberto teria exposto parlamentares a pressões, prejudicando a liberdade de decisão.

Com a disputa judicial em curso, o comando do governo do Rio segue indefinido, à espera de uma posição do STF tanto sobre o modelo de eleição quanto sobre a própria linha sucessória no estado.

A decisão da Corte deverá definir não apenas quem assume interinamente o Executivo, mas também os próximos passos para a escolha definitiva do novo governador.

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