Hotel de luxo da família Vorcaro nunca saiu do papel em BH
Brasília, Terça, 21 de julho de 2026
Política

Hotel de luxo da família Vorcaro nunca saiu do papel em BH

Com investimento superior a R$ 200 milhões, obra acumula dívidas

Foto: Washington Alves/Light Press

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Por Redação

Um empreendimento hoteleiro de alto padrão associado à família do banqueiro Daniel Vorcaro permanece fechado mais de uma década após o lançamento, no centro de Belo Horizonte. Previsto para operar durante a Copa do Mundo de 2014, o hotel nunca recebeu hóspedes e hoje é apontado como um “elefante branco” do setor imobiliário local. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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O projeto foi conduzido por empresas ligadas a Henrique Vorcaro, pai de Daniel, com investimento estimado em mais de R$ 200 milhões. À época, a iniciativa contou com incentivos municipais voltados à ampliação da rede hoteleira para o evento esportivo, incluindo facilidades urbanísticas e fiscais.

A proposta previa a transformação de um edifício de 37 andares em um hotel cinco estrelas, com centenas de apartamentos, centro de convenções e estrutura de alto padrão. A operação ficaria sob a bandeira Golden Tulip. No entanto, o cronograma não foi cumprido, e a obra acabou interrompida antes da conclusão.

Segundo análises do setor, a combinação de baixa demanda, dificuldades de financiamento e localização em uma área então degradada do centro contribuiu para o fracasso comercial. O modelo de condo-hotel, que previa a venda de unidades a investidores, também teve adesão abaixo do esperado, comprometendo o fluxo de caixa do projeto.

Com o atraso, o empreendimento perdeu benefícios vinculados à chamada “Lei da Copa” e passou a seguir regras urbanísticas mais restritivas, além de acumular pendências administrativas. Atualmente, o imóvel não possui alvará de funcionamento e registra débitos relacionados a taxas municipais, conforme informações da prefeitura.

O histórico inclui ainda a saída de parceiros ao longo do tempo. Empresas responsáveis por construção, comercialização e operação hoteleira rescindiram contratos diante do descumprimento de prazos. A operadora original do hotel deixou o projeto em 2016, antes mesmo de qualquer início.

O caso também gerou insatisfação entre investidores que adquiriram unidades no modelo proposto. Parte deles buscou ressarcimento na Justiça após o insucesso da iniciativa, segundo relatos do mercado.

Em nota, Henrique Vorcaro afirma que o empreendimento está “praticamente concluído”, com cerca de 95% das obras finalizadas, e que busca um novo parceiro para viabilizar a abertura. “Duas incorporadoras se apresentaram para viabilizar a abertura do hotel ao mercado, e as propostas estão sendo avaliadas”, disse.

O empresário atribui o insucesso inicial a fatores como o excesso de oferta hoteleira após a Copa e a deterioração das condições econômicas, posteriormente agravadas pela pandemia. Ele afirma ainda que propostas de venda, inclusive para o setor hospitalar, foram analisadas nos últimos anos, mas não avançaram.

Mais de dez anos após o anúncio, o prédio segue sem função definida e se tornou um dos principais exemplos de projetos que não se concretizaram no contexto dos investimentos impulsionados pela Copa do Mundo no Brasil.

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