O executivo Daniel Vorcaro teve acesso a procedimentos sigilosos do Ministério Público Federal (MPF) nove dias após o Banco Central alertar autoridades sobre indícios de crimes envolvendo o Banco Master.
Em 24 de julho de 2025, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, enviou ao celular de Vorcaro três procedimentos do MPF, incluindo investigações relacionadas à compra do banco pelo BRB, segundo informações do O Globo.
O alerta do Banco Central havia sido feito em 15 de julho de 2025. O órgão comunicou ao MPF indícios de “cessão de créditos inexistentes ao BRB, adquiridos pelo Banco Master”, o que pode configurar crime contra o sistema financeiro.
Segundo apuração, o sistema do MPF foi acessado indevidamente em 23 de julho. No dia seguinte, os arquivos foram encaminhados ao ex-banqueiro.
Investigadores apontam que Vorcaro e aliados buscavam termos como “Banco Master”, “Vorcaro” e “Nelson Tanure” dentro dos documentos sigilosos.
As apurações indicam que houve acesso indevido a sistemas do MPF, da Polícia Federal e de órgãos internacionais, como FBI e Interpol.
De acordo com a Polícia Federal, o “Sicário” atuava na obtenção de informações sigilosas e no monitoramento de pessoas consideradas adversárias do grupo.
As investigações também apontam relação de Vorcaro com servidores do Banco Central, como Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana. Ambos foram afastados por decisão do ministro André Mendonça.
Segundo a PF, os dois atuavam como consultores informais do ex-banqueiro, mesmo ocupando cargos ligados à supervisão do sistema financeiro.
O Banco Central fez novos alertas ao MPF em novembro de 2025, incluindo indícios de desvio de recursos e gestão fraudulenta por meio de operações com fundos de investimento.
