Tesouro recompra R$ 49 bi em títulos para conter alta dos juros futuros
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Economia

Tesouro recompra R$ 49 bi em títulos para conter alta dos juros futuros

Maior operação da história do órgão ocorre em meio a tensão no Oriente Médio

Ministério da Fazenda. Foto: Washington Costa/MF

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

A Secretaria do Tesouro Nacional realizou nesta semana a maior operação de recompra de títulos públicos de sua história, adquirindo R$ 49 bilhões de papéis emitidos nos últimos anos. O movimento tem como objetivo oficial “oferecer suporte ao mercado de títulos públicos, assegurando seu bom funcionamento e o de mercados correlatos”.

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A medida chega em um momento de turbulência nos mercados globais, após o início da guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo acima de US$ 100 por barril — contra US$ 72 antes do conflito — e pressionou os preços dos combustíveis no Brasil. O impacto imediato tem sido sentido na expectativa de inflação e na curva de juros futuros, que influencia as taxas cobradas em empréstimos para empresas e consumidores.

Em termos práticos, a recompra aumenta a demanda por títulos, eleva seus preços e reduz suas taxas de juros. Como esses papéis têm prazos longos, suas taxas servem de referência para a curva de juros futura, ajudando a conter movimentos desordenados de alta.

A operação também injeta liquidez no sistema financeiro, liberando recursos aos bancos e contribuindo para maior estabilidade do mercado.

Nos últimos dias, o Tesouro recomprou R$ 43,6 bilhões em papéis e, nesta quinta-feira (19), adquiriu mais R$ 5,41 bilhões em títulos prefixados. A iniciativa ocorre em meio a uma semana de decisões importantes de política monetária, incluindo o anúncio da taxa Selic pelo Copom e a definição de juros pelo Federal Reserve, nos Estados Unidos.

O Banco Central destacou que o cenário global segue apresentando riscos que podem afetar ativos financeiros, o dólar, os juros futuros e a bolsa de valores.

“As incertezas associadas a eventos geopolíticos, às políticas econômicas e à sustentabilidade fiscal de economias centrais se intensificaram”, afirmou a autoridade monetária.

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