Dono real do Master é Tanure, diz fundador da Esh à CPI
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Dono real do Master é Tanure, diz fundador da Esh à CPI

Vladimir Timerman afirma ter indícios de que empresário controla a instituição

Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

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Por Redação

O fundador da Esh Capital, Vladimir Timerman, afirmou nesta quarta-feira (18), em depoimento à CPI do Crime Organizado no Senado, que o empresário Nelson Tanure seria o verdadeiro controlador do Banco Master.

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Segundo ele, o banqueiro Daniel Vorcaro atuaria apenas como representante da instituição.

“O senhor Nelson Tanure é uma das cabeças, eu acho que é o mais alto da hierarquia”, declarou o gestor aos parlamentares.

Durante a oitiva, Timerman sustentou que há uma estrutura mais ampla por trás do banco, com nomes que não aparecem formalmente. Ele também questionou o nível de envolvimento de Vorcaro nas decisões estratégicas.

“O meu sentimento é que [Vorcaro] é uma pessoa que realmente não sabia nem o que estava acontecendo. Foi colocada para ser a cara, para fazer as conexões políticas”, afirmou.

O depoente disse ter analisado mensagens atribuídas ao banqueiro e relatou ausência de referências a operações relevantes, incluindo movimentações bilionárias.

“Muito me surpreendeu que não tinha uma única menção”, disse, ao comentar o conteúdo examinado.

Questionado por senadores sobre a falta de provas conclusivas, Timerman afirmou que pode apresentar elementos que sustentariam sua tese. “Eu só posso falar o que eu posso provar”, declarou.

O fundador da Esh também criticou a atuação de órgãos como a Comissão de Valores Mobiliários, o Banco Central e a Polícia Federal do Brasil, apontando demora na apuração de irregularidades que, segundo ele, já haviam sido denunciadas desde 2019.

“O inquérito demorou 473 dias para ser aberto. O inquérito na polícia não anda. Acho que todo mundo falhou”, afirmou.

Timerman relatou ainda ter sido alvo de retaliações após levar as suspeitas às autoridades. “Sofri mais de 30 ações criminais e ameaças de morte”, disse.

Ao descrever o que considera um mecanismo de fraude, o gestor afirmou que haveria inflação artificial de ativos para criar uma aparência de solidez financeira. “Elevavam o valor, criavam um lucro artificial […] para continuar rodando a máquina”, explicou.

Timerman foi ouvido como testemunha, condição em que assumiu o compromisso de dizer a verdade. Ele mantém disputas judiciais com Tanure e já acionou órgãos reguladores para investigar supostos vínculos com o Banco Master.

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