O diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA, Joseph Kent, renunciou nesta tarde (17) por se opor à guerra contra o Irã. O órgão integra o governo Trump e faz parte do Departamento de Inteligência Nacional, chefiado por Tulsi Gabbard.
“Após muita reflexão, decidi renunciar ao meu cargo de Diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, com efeito a partir de hoje”, escreveu Kent nas redes sociais.
“Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representava nenhuma ameaça iminente à nossa nação, e é evidente que iniciamos esta guerra devido à pressão de Israel e seu poderoso lobby americano”, afirmou na carta de renúncia.
Na carta, o ex-diretor afirma que houve uma campanha de desinformação de autoridades israelenses e de setores da mídia americana para justificar a ação militar contra o Irã, prometendo uma vitória rápida. Ele compara o cenário ao que levou à Guerra do Iraque, classificada como “desastrosa”.
“Até junho de 2025, o senhor compreendia que as guerras no Oriente Médio eram uma armadilha que custou à América as preciosas vidas de nossos compatriotas e drenou a riqueza e a prosperidade de nossa nação”, afirmou, ao se dirigir a Trump.
“Em sua primeira administração, o senhor entendeu melhor do que qualquer presidente moderno como aplicar o poder militar de forma decisiva sem nos arrastar para guerras intermináveis”.
Kent foi escolhido por Trump para o cargo em fevereiro de 2025. À época, o presidente citou que a esposa do então diretor, que foi morta na luta dos EUA contra o Estado Islâmico.
“Como veterano que foi enviado ao combate 11 vezes e como marido de uma “Gold Star” que perdeu minha amada esposa Shannon em uma guerra fabricada por Israel, não posso apoiar o envio da próxima geração para lutar e morrer em uma guerra que não traz benefício ao povo americano nem justifica o custo de vidas americanas”, afirmou na carta.
Em conversa com jornalistas após a renúncia, Trump disse que Kent era “muito fraco em segurança”. “É algo bom que ele tenha saído”, afirmou.
Kent é o 1º integrante do governo Trump a deixar o cargo por causa da guerra dos EUA e Israel contra o Irã.

