Lulinha e Careca do INSS estiveram 3x em Lisboa e Madri, diz PF
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Lulinha e Careca do INSS estiveram 3x em Lisboa e Madri, diz PF

Relatório indica deslocamentos para Madri e Lisboa nas mesmas datas e menciona empresária como intermediária

Lulinha manteve pagamentos a contador investigado por ligação com o PCC
Foto: Reprodução.

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Por Redação

Relatórios da Polícia Federal do Brasil indicam que o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, estiveram em Lisboa e Madri em períodos coincidentes ao menos três vezes em 2024. As informações são do portal Metrópoles.

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Os registros fazem parte de documentos reunidos no âmbito de investigações que apuram suspeitas de irregularidades envolvendo descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social.

Segundo a apuração policial, os deslocamentos ocorreram em junho, setembro e novembro daquele ano, com sobreposição de datas e, em alguns casos, uso de voos de primeira classe. Em duas dessas viagens, também aparece a empresária Roberta Luchsinger, apontada pelos investigadores como uma espécie de intermediária entre o filho do presidente e o lobista.

A primeira coincidência registrada ocorreu em Lisboa. De acordo com os dados de viagem, Lulinha e Roberta embarcaram em São Paulo em 13 de junho de 2024 e permaneceram na capital portuguesa até o dia 18. O “Careca do INSS” chegou ao mesmo destino quatro dias depois, no dia 17, permanecendo até 21 de junho.

O segundo episódio ocorreu em setembro, em Madri. Antunes viajou à Espanha em 12 de setembro e retornou ao Brasil no dia 20. Lulinha e Roberta embarcaram no dia seguinte, 13 de setembro, permanecendo na cidade até 22 e 29 de setembro, respectivamente.

A terceira viagem citada nos documentos ocorreu novamente para Lisboa, em novembro. Nesse caso, a Polícia Federal registrou que Lulinha e o lobista embarcaram no mesmo voo a partir de São Paulo em 8 de novembro. Antunes retornou ao Brasil no dia 14, enquanto o filho do presidente estendeu a permanência até o dia 17.

Os investigadores destacam ainda que, nessa última viagem, as passagens foram adquiridas com diferença de apenas quatro minutos. No relatório, a PF afirma que “observa-se um vínculo relevante de ser evidenciado”, mencionando a proximidade na compra das passagens e o fato de ambas terem sido emitidas com 21 dias de antecedência.

Outro ponto mencionado nas apurações envolve pagamentos feitos por empresas ligadas a Roberta Luchsinger. Segundo os documentos, uma agência de viagens que recebeu mais de R$ 640 mil de uma empresa da empresária aparece associada a dados cadastrais utilizados por Lulinha em deslocamentos internacionais. Um ex-funcionário do lobista também afirmou em depoimento que Antunes teria arcado com despesas de viagem de Lulinha e da empresária.

De acordo com a investigação, os três teriam discutido possíveis negócios ligados ao mercado de cannabis medicinal, setor no qual o lobista buscava investir, inclusive em Portugal.

Lulinha, Antunes e Roberta são citados na Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS. A Polícia Federal aponta Antunes como figura central do caso e afirma que Roberta teria atuado como ligação entre ele e o filho do presidente.

Os investigadores também identificaram transferências financeiras de Antunes para a empresária que somariam cerca de R$ 1,5 milhão. Em uma das operações, segundo a PF, o lobista teria indicado que o valor era destinado “ao filho do rapaz”, interpretação que os investigadores associam a Lulinha.

A defesa de Fábio Luís, representada pelo advogado Guilherme Suguimori, sustenta que o empresário não participa de qualquer esquema envolvendo o INSS e nega que ele tenha recebido recursos de Antunes ou mantenha sociedade oculta com o lobista. O filho do presidente também já declarou não ter relação próxima com o investigado.

Investigações anteriores ainda apontaram mensagens em que Antunes teria solicitado a entrega de um medicamento no apartamento de Lulinha em São Paulo, no fim de 2024. Na ocasião, o empresário afirmou desconhecer o episódio.

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