Quase duas semanas após o início da guerra no Oriente Médio, não há indícios de que o regime teocrático do Irã esteja próximo de colapso. Avaliações da inteligência dos Estados Unidos indicam que a liderança iraniana permanece em grande parte intacta e mantém o controle do país.
A informação foi confirmada por três fontes familiarizadas com relatórios de inteligência, ouvidas pela Reuters. Os documentos apontam que o governo iraniano não enfrenta risco imediato de queda, contrariando declarações públicas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que o regime estaria “à beira da derrota”.
Mesmo após ataques realizados por forças americanas e israelenses, as estruturas centrais do poder em Teerã continuam operando. As avaliações também apontam que a liderança religiosa permanece coesa.
Conflito e ataques
Desde o início da ofensiva militar, mais de 1.300 pessoas morreram no Irã e mais de 17 mil ficaram feridas. Entre os mortos está o então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
Os ataques também atingiram integrantes de alto escalão da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), força paramilitar que exerce influência sobre setores estratégicos da economia iraniana.
Apesar das perdas, o Irã mantém operações militares na região e segue realizando ataques contra alvos americanos e aliados no Oriente Médio.
Durante o 12º dia do conflito, Trump afirmou que as forças americanas poderiam ampliar os ataques.
“Eles estão praticamente no fim da linha”, disse o presidente a jornalistas em Washington.
“Podemos atingir áreas de Teerã e outros lugares que, se fizermos isso, será quase impossível para eles reconstruírem seu país, e não queremos isso.”
Estratégia militar iraniana
Especialistas apontam que a resistência do regime está relacionada à doutrina militar adotada pelo Irã nas últimas décadas.
Conhecida como “Estratégia do Mosaico”, a doutrina busca descentralizar decisões militares e ampliar a capacidade de resposta diante de ataques externos.
Essa estrutura permite que diferentes unidades militares atuem de forma autônoma, dificultando o colapso imediato da cadeia de comando.
Retaliações e impactos
O Irã intensificou ataques contra navios e instalações na região do Golfo Pérsico. A ação inclui operações no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
Autoridades iranianas também afirmaram que estão preparadas para um conflito prolongado.
“Os Estados Unidos e Israel devem considerar a possibilidade de se envolverem em uma guerra de desgaste de longo prazo que destruirá toda a economia americana e a economia mundial”, declarou Ali Fadavi, assessor militar da Guarda Revolucionária, à televisão estatal iraniana.
Dados divulgados pelo Comando Central dos EUA (Centcom) indicam que as forças americanas atingiram mais de 5.500 alvos no Irã desde o início da guerra, incluindo cerca de 60 embarcações.
O comandante Brad Cooper afirmou que os EUA alcançaram “superioridade aérea sobre vastas áreas do Irã” e que as operações militares estão reduzindo a capacidade ofensiva do regime.
Apesar disso, países do Golfo seguem registrando interceptações diárias de drones e mísseis iranianos.
Os Emirados Árabes Unidos informaram que seus sistemas de defesa neutralizaram seis mísseis balísticos, sete mísseis de cruzeiro e 39 drones lançados do território iraniano.
Análises de imagens de satélite e dados de inteligência também apontam que instalações americanas em pelo menos 17 locais do Oriente Médio foram atingidas desde o início do conflito. Sete militares morreram e mais de 140 ficaram feridos.
*Com informações da AFP
