O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que o Estreito de Ormuz continuará bloqueado. A declaração foi feita em seu primeiro pronunciamento público desde que assumiu o comando do país.
A mensagem foi divulgada nesta quinta-feira (12) pelos canais oficiais da República Islâmica.
No texto, Khamenei afirmou que a estratégia continuará sendo utilizada no contexto do conflito em curso.
“Certamente também deve continuar a ser utilizado o instrumento de bloqueio do Estreito de Ormuz”, declarou.
Ele também mencionou a possibilidade de abertura de novas frentes de confronto.
“Estudos também foram realizados sobre a abertura de outras frentes nas quais o inimigo tem pouca experiência e nas quais será altamente vulnerável. A ativação dessas frentes poderá ocorrer caso a situação de guerra continue e conforme as circunstâncias o permitam.”
A mensagem foi publicada em três partes nas redes sociais e apresenta sete pontos principais. O texto inclui trechos do Alcorão e referências religiosas, entre elas a frase “Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso”.
No pronunciamento, Khamenei também convocou a população iraniana a apoiar o país durante o conflito.
“Povo do Irã de todos os modos de vida que fique firme contra o inimigo.”
Estreito de Ormuz
O Estreito de Ormuz é a passagem marítima que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. A costa norte da região é controlada pelo Irã, enquanto a margem sul pertence ao sultanato de Omã, próximo à fronteira com os Emirados Árabes Unidos.
As águas utilizadas por navios comerciais são consideradas internacionais pelo direito internacional e pela Organização das Nações Unidas, o que garante proteção à livre navegação.

Antes do início do conflito, cerca de 129 embarcações transitavam diariamente pela rota.
O tráfego ocorre por dois canais de navegação definidos internacionalmente. Cada corredor possui três quilômetros de largura, separados por uma faixa central também de três quilômetros.
Segundo autoridades iranianas, embarcações que pretendam cruzar a passagem devem solicitar autorização. Caso contrário, podem ser alvo de ataques.
A Guarda Revolucionária do Irã informou que duas embarcações foram atingidas nesta semana: um navio graneleiro de bandeira da Tailândia e um navio de bandeira da Libéria, apontado pelas autoridades iranianas como ligado a Israel.
Relatórios da agência britânica UK Maritime Trade Operations indicam que ao menos 14 incidentes envolvendo embarcações foram registrados na região desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.
Especialistas apontam que a largura reduzida dos canais de navegação torna a região vulnerável a ataques com mísseis, drones e minas navais, capazes de atingir navios militares e comerciais.
