A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) informou que os estoques atuais de diesel no Brasil garantem abastecimento por cerca de 15 dias.
Segundo o presidente da Abicom, Sergio Araújo, o mercado de diesel importado está paralisado desde o início da escalada de tensões no Oriente Médio, que levou o preço internacional do petróleo a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril.
“Desde o início do conflito não está chegando carga nova, o mercado está parado. O nosso diesel vem da Rússia e o problema é o preço, ninguém sabe se a Petrobras vai repassar esse aumento.”
O diesel importado representa cerca de 30% do consumo no mercado brasileiro.
Segundo Araújo, o temor dos importadores é de que a Petrobras não repasse ao mercado interno a alta registrada no preço internacional dos combustíveis, o que tornaria inviável a venda do produto importado.
Até a publicação da reportagem, a Petrobras não havia se manifestado.
Dados do setor indicam que a defasagem do diesel vendido pela estatal em relação ao mercado internacional chegou a 85%. A diferença abriria espaço para um aumento estimado de R$ 2,74 por litro.
A Petrobras não reajusta o preço do diesel há mais de 300 dias.
Enquanto isso, a Acelen, responsável pela Refinaria de Mataripe, elevou o preço do diesel em 26% apenas no mês de março. Mesmo com o aumento, a defasagem em relação ao mercado externo permanece em cerca de 42%.
Com a redução da oferta, agentes do setor relatam formação de filas nas refinarias da Petrobras.
Segundo profissionais da área, as refinarias privadas — como a de Mataripe e a Refinaria da Amazônia — não têm capacidade para suprir o volume necessário para o mercado nacional.
No caso da gasolina, o cenário é considerado menos crítico, já que cerca de 10% do consumo depende de importações.
A Abicom calcula que a defasagem da gasolina em relação ao mercado internacional está em cerca de 49%, o que representaria um reajuste potencial de R$ 1,22 por litro.
O aumento recente do preço do petróleo ocorre em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio, que envolve Israel, Irã e Estados Unidos.
Analistas do mercado de energia apontam que ataques a estruturas energéticas e interrupções no transporte marítimo elevaram o risco de redução da oferta global de petróleo.
Nesta segunda-feira (9), o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que países do G7 avaliam recorrer às reservas estratégicas de petróleo para responder à alta dos preços da energia.
Segundo analistas, a medida pode reduzir parte da pressão no curto prazo, mas não resolve a restrição de oferta enquanto persistirem as interrupções nas rotas de exportação no Oriente Médio.
