Diesel no Brasil tem estoque para apenas 15 dias, diz Abicom
Brasília, Segunda, 22 de junho de 2026
Economia

Diesel no Brasil tem estoque para apenas 15 dias, diz Abicom

Importadores suspendem compras e alertam para risco de desabastecimento no mercado interno

Diesel no Brasil tem estoque para apenas 15 dias, diz Abicom
Diesel no Brasil tem estoque para apenas 15 dias, diz Abicom

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) informou que os estoques atuais de diesel no Brasil garantem abastecimento por cerca de 15 dias.

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Segundo o presidente da Abicom, Sergio Araújo, o mercado de diesel importado está paralisado desde o início da escalada de tensões no Oriente Médio, que levou o preço internacional do petróleo a ultrapassar a marca de US$ 100 por barril.

“Desde o início do conflito não está chegando carga nova, o mercado está parado. O nosso diesel vem da Rússia e o problema é o preço, ninguém sabe se a Petrobras vai repassar esse aumento.”

O diesel importado representa cerca de 30% do consumo no mercado brasileiro.

Segundo Araújo, o temor dos importadores é de que a Petrobras não repasse ao mercado interno a alta registrada no preço internacional dos combustíveis, o que tornaria inviável a venda do produto importado.

Até a publicação da reportagem, a Petrobras não havia se manifestado.

Dados do setor indicam que a defasagem do diesel vendido pela estatal em relação ao mercado internacional chegou a 85%. A diferença abriria espaço para um aumento estimado de R$ 2,74 por litro.

A Petrobras não reajusta o preço do diesel há mais de 300 dias.

Enquanto isso, a Acelen, responsável pela Refinaria de Mataripe, elevou o preço do diesel em 26% apenas no mês de março. Mesmo com o aumento, a defasagem em relação ao mercado externo permanece em cerca de 42%.

Com a redução da oferta, agentes do setor relatam formação de filas nas refinarias da Petrobras.

Segundo profissionais da área, as refinarias privadas — como a de Mataripe e a Refinaria da Amazônia — não têm capacidade para suprir o volume necessário para o mercado nacional.

No caso da gasolina, o cenário é considerado menos crítico, já que cerca de 10% do consumo depende de importações.

A Abicom calcula que a defasagem da gasolina em relação ao mercado internacional está em cerca de 49%, o que representaria um reajuste potencial de R$ 1,22 por litro.

O aumento recente do preço do petróleo ocorre em meio ao agravamento do conflito no Oriente Médio, que envolve Israel, Irã e Estados Unidos.

Analistas do mercado de energia apontam que ataques a estruturas energéticas e interrupções no transporte marítimo elevaram o risco de redução da oferta global de petróleo.

Nesta segunda-feira (9), o presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que países do G7 avaliam recorrer às reservas estratégicas de petróleo para responder à alta dos preços da energia.

Segundo analistas, a medida pode reduzir parte da pressão no curto prazo, mas não resolve a restrição de oferta enquanto persistirem as interrupções nas rotas de exportação no Oriente Médio.

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