O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (9) que as investigações relacionadas à fraude financeira envolvendo o Banco Master devem ocorrer de forma independente e sem interferências políticas.
Em entrevista à Rádio Metrópole, de Salvador, o parlamentar ressaltou que as instituições responsáveis pela apuração precisam atuar com autonomia para identificar eventuais irregularidades e responsabilizar os envolvidos.
Segundo ele, decisões recentes tomadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e o trabalho conduzido pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal demonstram que o caso está sendo acompanhado de perto.
Na semana passada, o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso no âmbito das investigações, o que intensificou a repercussão política do caso em Brasília.
No Congresso Nacional, parlamentares têm pressionado pela criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para tratar do tema.
Na Câmara, porém, a instalação de um novo colegiado enfrenta entraves devido à fila de pedidos de CPIs que aguardam análise. Parte da oposição também passou a questionar possíveis vínculos entre ministros do STF e o empresário investigado.
Motta avaliou que o episódio pode acabar sendo explorado durante a campanha eleitoral deste ano, mas afirmou que o debate político não deve se limitar ao caso.
“Historicamente, operações e investigações acabam entrando no discurso eleitoral, com narrativas construídas conforme a conveniência de cada grupo político”, disse.
Apesar disso, o presidente da Câmara defendeu que as discussões eleitorais priorizem temas ligados às dificuldades enfrentadas pela população.
“Espero que o debate ocorra menos no campo policial e mais em torno dos problemas concretos da vida dos brasileiros”, declarou.
Entre as pautas que devem avançar na Câmara nesta semana, Motta citou a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 e a regulamentação das regras para trabalhadores de aplicativos.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da jornada de trabalho terá a primeira audiência pública na terça-feira (10), com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. Já o projeto voltado aos entregadores de aplicativos aguarda análise em comissão especial da Casa.
