Lideranças da Câmara e do Senado articulam nos bastidores uma saída negociada com parlamentares da ala bolsonarista para conter o avanço de investigações sobre o Banco Master.
A proposta em discussão envolveria a derrubada do veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria — medida vista como favorável ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — em troca do arrefecimento das pressões pela instalação de uma comissão mista para apurar a atuação da instituição financeira. As informações são do portal O Antagonista.
Atualmente, tramitam três iniciativas voltadas ao banco controlado por Daniel Vorcaro: um pedido de CPI na Câmara, outro no Senado e uma solicitação de Comissão Parlamentar Mista de Inquérito. Entre elas, a CPMI é considerada a mais viável, já que o regimento do Congresso prevê a leitura obrigatória do requerimento quando preenchidos os requisitos formais.
Nos bastidores, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem buscado diálogo com integrantes da oposição para evitar que o pedido de criação da comissão mista seja lido na próxima sessão conjunta.
A estratégia permitiria concentrar os trabalhos na análise do veto ao projeto da dosimetria. O cálculo político indica risco de derrota para o governo do presidente Lula (PT) caso o veto seja apreciado.
Parlamentares alinhados ao bolsonarismo, contudo, resistem à proposta. Avaliam que há votos suficientes para reverter o veto e, por isso, não veem vantagem em abrir mão do potencial desgaste que uma investigação poderia causar a partidos do chamado Centrão.
A ofensiva pela CPMI também é vista como instrumento de pressão sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, magistrado indicado ao STF por Lula. Embora tenha sido retirado da relatoria de processos relacionados ao tema, persistem questionamentos sobre a extensão de suas relações com o antigo controlador da instituição.
Além de Alcolumbre, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), enfrenta pressão de partidos de centro para conter o avanço das comissões de inquérito. Lideranças de siglas como União Brasil, Progressistas e Movimento Democrático Brasileiro temem que a abertura de investigações amplie desgastes políticos em um cenário pré-eleitoral.
O impasse evidencia a disputa entre governo, oposição e partidos de centro em torno do controle da agenda legislativa e do impacto que eventuais apurações podem ter no equilíbrio de forças dentro do Congresso.
