O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que o autocrata russo Vladimir Putin já iniciou a Terceira Guerra Mundial e defendeu pressão militar e econômica intensa contra a Rússia para forçá-la a recuar. Declaração foi feita em entrevista à BBC News no fim de semana.
“Acredito que Putin já a começou [3ª Guerra Mundial]. A questão é quanto território ele conseguirá tomar e como detê-lo… A Rússia quer impor ao mundo um modo de vida diferente e mudar as vidas que as pessoas escolheram para si”, disse Zelensky à emissora.
O líder ucraniano também rejeitou a exigência russa de que Kiev entregue os 20% da região de Donetsk ainda sob controle ucraniano como condição para encerrar o conflito. Para ele, a discussão não envolve apenas território:
“Vejo de outra forma. Não encaro isso simplesmente como terra. Vejo como abandono — enfraquecendo nossas posições, abandonando centenas de milhares de nossos cidadãos que vivem ali. É assim que vejo. E tenho certeza de que essa ‘retirada’ dividiria nossa sociedade”.
Ainda de acordo com Zelensky, qualquer concessão territorial apenas daria fôlego temporário a Putin: “Provavelmente o satisfaria por um tempo… Ele precisa de uma pausa… Mas, uma vez recuperado, nossos parceiros europeus dizem que isso poderia levar de três a cinco anos. Na minha opinião, ele poderia se recuperar em não mais do que um ou dois anos. Para onde iria depois? Não sabemos, mas que ele desejaria continuar [a guerra] é um fato”.
“Acredito que deter Putin hoje e impedir que ele ocupe a Ucrânia é uma vitória para o mundo inteiro. Porque Putin não vai parar na Ucrânia”, continuou o presidente ucraniano.
Zelensky reiterou que pretende recuperar todo o território ucraniano, mas reconheceu limitações militares atuais. “Fazer isso hoje significaria perder um número enorme de pessoas — milhões — porque o Exército [russo] é grande e entendemos o custo de tais medidas. Não haveria pessoas suficientes, estaríamos perdendo-as. E o que é terra sem pessoas? Honestamente, nada”.
Também destacou a dependência do apoio internacional pela Ucrânia: “Também não temos armas suficientes. Isso depende não apenas de nós, mas de nossos parceiros. Portanto, no momento isso não é possível, mas retornar às fronteiras justas de 1991 [ano em que a Ucrânia declarou sua independência, precipitando o colapso final da União Soviética], sem dúvida, não é apenas uma vitória, é justiça”.
“A vitória da Ucrânia é a preservação da nossa independência, e uma vitória da justiça para o mundo inteiro é a devolução de todas as nossas terras”, concluiu o líder ucraniano.
