Em nota divulgada há pouco, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli admitiu que é sócio da Maridt Participações, empresa de seus irmãos que foi dona do Tayayá e que vendeu participação do resort a um fundo ligado ao cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Toffoli afirma, na nota, que declarou à Receita os valores recebidos na negociação e que nunca “recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.
O ministro do STF também alega que desconhece o gestor do Fundo Arllen, de Zettel, e que nunca manteve relação de amizade, “muito menos amizade íntima”, com Vorcaro.
Segundo Toffoli, a Maridt deixou o grupo Tayaya Ribeirão Claro em fevereiro de 2025, meses antes de a ação sobre a compra do Master pelo BRB ser distribuída a ele no STF.
“A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro”, afirmou.
A Maridt Participações, registrada em nome dos irmãos do ministro, detinha até 2025 pouco mais de 30% do controle do resort. O fundo Arleen, da Reag Investimentos, aportou R$ 20 milhões no empreendimento. O fundo Leal Investimentos, controlador do Arleen, pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro.
Em 2021, o jornalista Claudio Dantas revelou que os irmãos de Toffoli, José Carlos e José Eugênio, tornaram-se sócios do Tayayá. Até então, o resort estava registrado em nome de Mario Umberto Degani, primo do ministro, e do advogado Euclides Gava Junior.
Em 10 de dezembro daquele ano, a Maridt Participações S.A., aberta 4 meses antes pelos irmãos de Toffoli, foi admitida na sociedade. A empresa realizou aporte de R$ 370 mil, passando a deter 33,33% do empreendimento.
Leia a nota na íntegra:
“A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.
O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025.
Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.
A ação referente à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao Ministro Dias Toffoli no dia 28 de novembro de 2025. Ou seja, quando há muito a Maridt não fazia mais parte do grupo Tayaya Ribeirão Claro.
Ademais, o Ministro desconhece o gestor do Fundo Arllen, bem como jamais teve qualquer relação de amizade e muito menos amizade íntima com o investigado Daniel Vorcaro. Por fim, o Ministro esclarece que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel”.
