O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou o pedido de convocação de uma funcionária de seu escritório de advocacia à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Em nota divulgada neste domingo (1º), o parlamentar afirmou que a iniciativa tem motivação política e negou qualquer relação da funcionária com o esquema de fraudes investigado.
“A esquerda atua de forma covarde, contra uma mulher trabalhadora e que não tem absolutamente nenhum vínculo com o gigantesco esquema de corrupção do governo Lula, que roubou centenas de milhões de reais dos aposentados do INSS”, declarou o senador.
O requerimento, apresentado por parlamentares do PT, pede a convocação de Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia Zero Um, fundado em 2021 e que tem Flávio como sócio. O pedido deve ser analisado pela CPMI nas próximas semanas.
Letícia é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, sócio do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Os dois são ligados a uma empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, que é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada às fraudes contra aposentados e pensionistas.
No requerimento, os autores afirmam haver indícios de ligação entre o senador e o núcleo investigado. O documento cita entrevista em que Letícia afirmou ter sido indicada para o cargo pelo advogado Willer Tomaz, que já atuou na defesa de Alexandre Caetano e é apontado como próximo de Flávio Bolsonaro.
Na nota, o senador rejeitou essa interpretação e afirmou que a atuação da funcionária se limita a tarefas administrativas.
“Letícia Caetano dos Santos é uma funcionária contratada meramente para cuidar da burocracia do meu escritório de advocacia e nada mais”, afirmou. Segundo ele, a administradora “deve prestar serviços para diversas outras pessoas e empresas”.
Flávio Bolsonaro também esclareceu que Letícia não é sócia do escritório.
“Ela figura como ‘administradora NÃO-sócia’ tão somente porque a legislação considera senador da República uma ‘Pessoa Exposta Politicamente (PEP)’, o que não permite que eu seja administrador da minha própria empresa”, disse.
O parlamentar reiterou que não há qualquer vínculo entre a funcionária e as investigações em curso.
