BC diz à PF que BRB deveria ter identificado falhas em créditos do Master
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

BC diz à PF que BRB deveria ter identificado falhas em créditos do Master

Diretor afirma que técnicas de análise permitiriam detectar problemas nas carteiras adquiridas

Banco Central vetou compra de carteiras pelo BRB em outubro de 2025. Diretor do BC afirmou à PF que medida só é aplicada em casos graves.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Em depoimento à Polícia Federal, o diretor do Banco Central Ailton Aquino afirmou que a governança do Banco de Brasília (BRB) deveria ter sido capaz de identificar problemas nos créditos adquiridos do Banco Master.

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O depoimento foi prestado em 30 de dezembro de 2025. Os vídeos foram tornados públicos nesta quinta-feira (29) por decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso.

A Polícia Federal investiga se houve omissão dos gestores do BRB e falhas nos mecanismos de prudência e governança na compra de carteiras que chegaram a representar cerca de 30% dos ativos do banco público. Segundo a apuração, o Banco Master teria adquirido créditos da empresa Tirreno sem pagamento e, depois, revendido esses ativos ao BRB por aproximadamente R$ 12 bilhões.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro, após a identificação de problemas de liquidez.

Segundo Aquino, a aplicação de técnicas adequadas permitiria verificar se os créditos efetivamente existiam. Para ele, houve falha clara nos controles internos do banco público.

“Tenho certeza que a governança do BRB deveria ter identificado. Não tenho dúvida disso. Aplicando-se técnicas é possível identificação da existência ou não dos créditos. Falha na governança do BRB”, afirmou.

O diretor também disse que a área de supervisão do Banco Central questionou reiteradamente o BRB sobre a origem e a geração dos créditos adquiridos do Master.

“O time da supervisão inquiriu muito o BRB em vários ofícios, acerca da geração dos créditos”, declarou.

Acareação

Também foi divulgado o vídeo da acareação entre o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Os dois apresentaram versões divergentes sobre a origem das carteiras vendidas ao banco público.

Na acareação, Vorcaro afirmou que informou ao BRB que as carteiras seriam originadas por terceiros e disse não ter conhecimento, à época, de que os papéis vendidos eram da empresa Tirreno.

“Eram carteiras dos mesmos originadores que faziam originação para o Master, mas não especificamente originadas por nós”, declarou.

Paulo Henrique Costa, por sua vez, afirmou que o entendimento do BRB era de que os créditos haviam sido originalmente originados pelo próprio Master.

“O entendimento que eu coloquei é que eram carteiras originadas pelo Master, negociadas com terceiros, e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente”, afirmou.

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