Cuba dispõe de petróleo suficiente para apenas 15 a 20 dias, considerando os atuais níveis de demanda e produção interna. A informação foi publicada nesta quinta-feira (29) pelo jornal Financial Times, com base em dados da empresa de monitoramento Kpler.
Segundo o levantamento, a estimativa considera um carregamento recebido do México em janeiro e estoques avaliados em cerca de 460 mil barris no início de 2026. A analista de petróleo bruto da Kpler, Victoria Grabenwöger, afirmou ao jornal que, somados esses volumes, “Cuba pode operar por 15 a 20 dias”.
O cenário ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que não haverá mais envio de petróleo venezuelano à ilha. A declaração foi feita depois da captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro por forças americanas, no último dia 3. Trump afirmou ainda que o regime cubano deveria negociar com Washington “antes que seja tarde demais”.
Antes mesmo desse episódio, o México havia ultrapassado a Venezuela como principal fornecedor de petróleo a Cuba. Ainda assim, de acordo com o Financial Times, a ilha recebeu neste ano apenas 84,9 mil barris em um único carregamento mexicano, em 9 de janeiro.
O volume equivale a pouco mais de 3 mil barris por dia, número bem inferior à média de 37 mil barris diários registrados em 2025. No ano passado, Cuba já enfrentava uma crise energética severa, que se estendeu para os primeiros dias de 2026.
Na quarta-feira (28), a presidente do México, Claudia Sheinbaum, afirmou que o governo seguirá prestando ajuda humanitária a Cuba, incluindo petróleo. Ela não detalhou, porém, os motivos para a suspensão de uma carga que estava prevista para ser enviada à ilha nos últimos dias.
Na semana passada, a agência Reuters informou que o México passou a reavaliar as exportações de petróleo para Cuba diante do risco de sofrer retaliações dos Estados Unidos.
