O Banco Central proibiu o Banco de Brasília (BRB) de adquirir novas carteiras de crédito de instituições financeiras em 14 de outubro de 2025, um mês antes da liquidação do Banco Master e da deflagração da primeira fase da Operação Compliance Zero.
A informação consta em depoimento prestado à Polícia Federal pelo diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos. Segundo ele, a medida adotada é classificada como extrema dentro do sistema de supervisão bancária.
“Quando aplicamos uma 4019 nós já esgotamos tudo. Quando você aplica 4019 para uma instituição, fala que não pode mais operar crédito consignado. É uma medida dura. Quando você diz: você não pode comprar mais crédito nenhum em instituição financeira é uma medida dura”, afirmou. “A 4019 é algo que só se aplica diante de casos graves”, completou.
📹O diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, afirmou em 30 de dezembro, em depoimento à PF, que a autoridade monetária teve certeza das fraudes em carteiras do Banco Master após reunião com representantes da Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A. e da Tirreno pic.twitter.com/qP6kep8jCp
— Portal Claudio Dantas (@PortaldoDantas) January 29, 2026
A norma citada impede diretamente a expansão de operações financeiras e interfere na atividade comercial da instituição supervisionada, segundo o próprio diretor.
Em 18 de novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero, que resultou na prisão de executivos do Banco Master e de pessoas ligadas à consultoria Tirreno, responsável pela originação das carteiras de crédito investigadas. Na mesma ocasião, Paulo Henrique Costa foi afastado da presidência do BRB.
Durante o mesmo dia de oitivas, o ex-presidente do BRB afirmou que a decisão do BC suspendeu novas cessões que envolvessem pagamento líquido ao Banco Master e restringiu operações de instrumentos financeiros. Segundo ele, a determinação não exigia providências imediatas adicionais de gestão.
“Ela concedia um prazo de 30 dias para que o banco fizesse plano de ação para endereçar temas que lá estavam colocados e dava prazo de seis meses para que fosse feita auditoria no valor específico de ativos que foram recebidos do Master”, declarou Costa.
Créditos não substituídos
Ailton de Aquino também informou à PF que, em 18 de junho de 2025, Paulo Henrique Costa enviou ofício ao Banco Central relatando a adoção de diligências para substituir créditos considerados inexistentes.
“Ou seja, começa a buscar ativos no balanço do Master frente ao problema”, disse o diretor.
Segundo o depoimento, o BRB substituiu parte dos créditos por ativos como cartões-benefício, CRI, fundos imobiliários, títulos no exterior, ações e cotas. Ainda assim, aproximadamente R$ 2,4 bilhões pagos por carteiras originadas pela Tirreno não foram trocados por ativos do Banco Master.
