BC alertou sobre carteiras “podres” do Master oito meses antes da liquidação
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Economia

BC alertou sobre carteiras “podres” do Master oito meses antes da liquidação

Diretor de Fiscalização do Banco Central diz à PF que problema foi identificado em março de 2025

Segundo Aquino, o Banco Central passou a questionar formalmente a operação após identificar inconsistências. Foto: Raphael Ribeiro/Banco Central

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Por Redação

Em depoimento à Polícia Federal, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou que a autarquia identificou ainda em março de 2025 problemas nas carteiras de crédito da Tirreno negociadas pelo Banco Master com o Banco de Brasília (BRB), operação avaliada em R$ 12,2 bilhões. As informações são do portal Metrópoles.

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Segundo Aquino, o Banco Central passou a questionar formalmente a operação após identificar inconsistências, o que levou o BRB a iniciar, a partir daquele momento, o reporte regular das informações relacionadas às carteiras.

“Nós fizemos um questionamento em março, que está nos autos, mostrando nossa preocupação. A partir daí, o BRB passou a reportar”, afirmou.

A declaração foi dada em resposta a questionamentos da delegada responsável pelo caso, que citou versões apresentadas tanto pelo banqueiro Daniel Vorcaro quanto pelo então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Ambos sustentaram que o Banco Central acompanhou todas as tratativas entre as instituições financeiras envolvidas na negociação.

O Banco Master acabou liquidado apenas em novembro de 2025, oito meses após os alertas iniciais do BC, depois da deflagração da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeita de fraude na venda das carteiras da Tirreno ao BRB, consideradas posteriormente inexistentes ou sem lastro.

Aquino também confirmou que o Banco Central acompanhou o processo de substituição dos ativos após o BRB constatar que as carteiras adquiridas não correspondiam à realidade. Segundo ele, em 18 de junho de 2025, o banco estatal informou oficialmente que havia iniciado diligências para internalizar ativos do balanço do Master como forma de mitigar o problema.

De acordo com o depoimento, em novo ofício enviado em 8 de julho de 2025, o BRB comunicou ao BC que passou a incorporar outros ativos em substituição às carteiras consideradas irregulares, incluindo operações de crédito consignado, cartões de benefício, CRIs, fundos imobiliários, títulos no exterior, ações e cotas de fundos.

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