Anvisa aprova novas regras para uso da cannabis medicinal
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

Anvisa aprova novas regras para uso da cannabis medicinal

Normas ampliam acesso a terapias e autorizam venda de canabidiol manipulado

Anvisa aprova novas regras para cannabis medicinal, amplia acesso a tratamentos, autoriza venda de canabidiol manipulado e estabelece ajustes regulatórios no setor.
Anvisa aprova novas regras para cannabis medicinal, amplia acesso a tratamentos, autoriza venda de canabidiol manipulado e estabelece ajustes regulatórios no setor

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou hoje (28) novas regras para o uso da cannabis medicinal no Brasil. A decisão amplia o acesso a medicamentos à base de cannabis para pacientes com prescrição médica.

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A resolução da diretoria colegiada autoriza a venda do fitofármaco canabidiol em farmácias de manipulação. A medida atende a determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que fixou prazo até 31 de março para a definição das regras.

Pacientes com doenças debilitantes passam a ter acesso a tratamentos com maior concentração de canabinoides.

As novas normas entram em vigor após seis meses. Desde 2015, a Anvisa autoriza a importação de medicamentos à base de cannabis e fiscaliza produtos comercializados por associações e empresas farmacêuticas do setor.

O relator do processo, diretor da Anvisa Thiago Campos, propôs a atualização da RDC 327/2019, com ressalvas à RDC 660/2022. Segundo ele, a norma de 2022 deverá passar por ato regulatório independente para estabelecer critérios claros, parâmetros de qualidade e marcos específicos.

O voto do relator foi acompanhado pela maioria do colegiado. A decisão mantém, neste momento, restrições à manipulação de medicamentos, mas cria uma via regulatória adicional.

A RDC 660/2022 define critérios e procedimentos para importação de produtos derivados de cannabis e autoriza o uso de nome comercial. A Anvisa deverá deliberar sobre ajustes em novo ato normativo.

A aprovação das novas regras foi recebida por associações de pacientes, instituições científicas e empresas do setor. Atualmente, há cerca de 500 decisões judiciais no país autorizando o cultivo de cannabis por pessoas físicas ou jurídicas.

“Queremos desenvolver e aprimorar o mercado nacional, onde todos tenhamos o mesmo nível regulatório e que possamos responder à oferta internacional, diminuindo a dependência de produtos importados”, afirmou Helder Dario, diretor científico da FarmaUSA.

“O país tem condições para priorizar o desenvolvimento de produtos que ainda não fazem parte do portfólio industrial, como medicamentos à base de THC”, disse Gislaine Gutierrez, vice-presidente da Abifisa.

A pesquisadora da Embrapa Beatriz Marti Emygdio destacou que permanecem limites para o teor de THC em cultivos industriais, enquanto pesquisas não ficam sujeitas à mesma restrição. “O limite de THC deve permanecer em cultivos industriais, mas a pesquisa pode correr sem essa limitação”, afirmou.

Outro ponto citado foi a competitividade internacional. “A restrição de qualquer exportação, seja na indústria ou pesquisa, compromete o protagonismo do país em iniciativas com a cannabis”, disse.

Em novembro, a Anvisa já havia aprovado pesquisa da Embrapa sobre o cultivo da planta. O grupo de trabalho contou com 31 instituições e 132 pesquisadores.

Michele Farran, fundadora da Cannabis Company, afirmou que a decisão cria condições para o início do cultivo e da comercialização no país. “Será bom para a indústria brasileira de cannabis que pode começar de fato com o início do cultivo e comercialização”, disse. Segundo ela, a nacionalização da produção pode reduzir custos e ampliar o acesso aos tratamentos.

Entre 2015 e 2025, mais de 660 mil autorizações individuais de importação de produtos à base de canabidiol foram concedidas. Atualmente, 49 produtos de 24 empresas têm aprovação da Anvisa para comercialização em farmácias.

Segundo estimativa da consultoria Kaya, o mercado de cannabis medicinal no Brasil pode movimentar R$ 1 bilhão em 2026.

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