O presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira (28) que a América Latina e o Caribe enfrentam intervenções militares ilegais e criticou a falta de reação dos organismos regionais diante desse cenário. A declaração foi feita durante discurso na sessão inaugural do Fórum Econômico Internacional da América Latina, realizado no Panamá.
Sem mencionar diretamente quais operações ou países estariam envolvidos, Lula disse que ações militares não são capazes de enfrentar os problemas estruturais da região e apontou ausência de coordenação política entre os países latino-americanos.
“A única organização que engloba a totalidade dos países da América Latina e Caribe, a Celac, está paralisada”, afirmou o presidente. Segundo ele, o bloco “não consegue produzir nem mesmo uma única declaração contra intervenções militares ilegais que abalam a nossa região”.
No discurso, Lula também criticou disputas por zonas de influência e ações motivadas por interesses estratégicos.
“A história mostra que o uso da força jamais pavimentará o caminho para superar as mazelas que afligem esse hemisfério que é de todos nós”, disse. Para o presidente, investidas de caráter neocolonial representam “gestos anacrônicos e retrocessos históricos”.
As falas ocorrem em meio à escalada de tensões no continente após a operação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura do então presidente Nicolás Maduro. Lula tem se manifestado publicamente contra a ação, embora tenha ressaltado que Washington já exerceu papel de parceria com a região em outros períodos.
Como exemplo, o petista citou a política de “boa vizinhança” adotada durante o governo do presidente americano Franklin Delano Roosevelt.
“Tinha como objetivo substituir a intervenção militar pela diplomacia na política externa para a América Latina e o Caribe”, afirmou.
Ainda sobre o cenário internacional, Lula declarou que o Brasil escolheu “o mundo da democracia, da paz e da integração regional” e defendeu que a única guerra a ser travada é “contra a fome e a desigualdade”.
Durante a passagem pelo Panamá, o presidente brasileiro mantém uma agenda de encontros bilaterais com líderes da região, incluindo o presidente do país, José Raúl Mulino, o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, e o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz. Lula retorna ao Brasil ainda nesta quarta-feira.
Em março, o presidente deve viajar a Washington para se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Entre os temas previstos estão a situação da Venezuela, o conflito no Oriente Médio e questões econômicas. Lula também foi convidado a integrar um Conselho da Paz proposto por Trump, mas ainda não confirmou participação.
