Pedido ocorre após Trump anunciar tarifas contra países europeus e defender anexação do território
A França pediu à Otan a realização de um exercício militar na Groenlândia. A informação foi divulgada na manhã de hoje (21) pelo gabinete do presidente Emmanuel Macron. Segundo o comunicado, o país está “pronto para contribuir” com a aliança militar ocidental.
O pedido ocorre após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegar a Davos para discursar no Fórum Econômico Mundial e anunciar, no sábado (17), a imposição de tarifas contra a Dinamarca, o Reino Unido e outros seis países europeus: as medidas miram governos que se opõem ao plano de Trump de adquirir a Groenlândia e que enviaram tropas à ilha autônoma dinamarquesa.
Nos últimos meses, Trump vem defendendo que a Groenlândia passe a integrar os Estados Unidos. O presidente norte-americano afirma que o território é essencial para a defesa nacional e “vital” para o “Domo de Ouro”, escudo antimísseis que pretende construir.
Ontem (20), Trump publicou na Truth Social, sua rede social, imagem que mostra a Groenlândia, o Canadá e a Venezuela anexados aos EUA. Também divulgou uma ilustração com uma bandeira norte-americana fincada no território groenlandês.
Em discurso em Davos, feito ontem, Macron disse, sem citar Trump diretamente, que “não é momento para imperialismos e colonialismos”. O presidente francês disse ainda que a UE não deve se submeter à “lei do mais forte” e que, embora considere a situação “estarrecedora”, o bloco avalia acionar seu “instrumento anticoerção” contra os EUA.
Macron também declarou que a Europa seguirá “ao lado dos nossos amigos da Dinamarca, quando eles estão sendo pressionados. É o que se espera de um aliado”.
Trump também foi alvo de críticas indiretas da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Ela afirmou que a ameaça de tarifas para coagir países europeus “é um erro”, defendeu a soberania da Groenlândia e disse que a Europa precisa “buscar mais independência” em relação aos Estados Unidos.
Ainda na manhã de ontem (20), antes dos discursos de Macron e de Von der Leyen, Trump afirmou que, após conversar com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, concordou em realizar uma reunião com líderes europeus para discutir a situação da Groenlândia.
