“A Groenlândia é uma questão existencial para os EUA"
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Mundo

“A Groenlândia é uma questão existencial para os EUA”

No programa Alive, Maurício Galante afirma que governo Trump trata segurança, energia e alimentos como ativos estratégicos e inclui o Brasil no tabuleiro global

Em entrevista a Cláudio Dantas no programa Alive, Maurício Galante diz que Groenlândia e agronegócio brasileiro entraram no centro da disputa geopolítica entre EUA, China e Rússia

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

Durante o programa Alive, apresentado por Cláudio Dantas no YouTube nesta quinta-feira (15), o vereador brasileiro nos Estados Unidos Maurício Galante afirmou que o governo Donald Trump passou a tratar temas como Groenlândia, agricultura e segurança alimentar como questões centrais da estratégia global americana.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Logo no início da conversa, Galante classificou o segundo governo Trump como “disruptivo” e disse que a velocidade dos acontecimentos dificulta o acompanhamento até mesmo pelo cidadão comum. Segundo ele, “a sequência e a velocidade dos fatos” fazem com que “o americano médio não consiga acompanhar tudo o que está acontecendo”.

Ele citou como exemplo as ações internas do governo, especialmente na área migratória. Disse que houve “convulsão interna” em cidades como Mineápolis por causa das medidas contra imigração ilegal e afirmou que, apenas no último ano, “foram expulsos dois milhões de imigrantes ilegais”. Para Galante, esse tema domina o noticiário porque “afeta as pessoas pessoalmente”.

Ao mesmo tempo, afirmou que outras frentes também impactam o cotidiano. Citou a Venezuela, o tráfico de drogas e a chamada guerra ao narcoterrorismo. Segundo ele, dados recentes mostram “redução de 20% no número de mortes por overdose em 2025” e queda na criminalidade. “As pessoas estão vendo o choque”, disse. Para Galante, apesar de “um governo caótico, com várias frentes abertas”, há percepção de melhora na economia, no emprego e na segurança.

Ao tratar da política externa, Galante foi direto ao afirmar que “a Groenlândia é uma questão existencial americana”. Disse que o interesse dos Estados Unidos pela ilha não é novo e lembrou que o país tentou comprá-la três vezes ao longo de sua história. Citou a oferta de 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial, quando Washington ofereceu US$ 100 milhões à Dinamarca. “Naquela época, já existia o prelúdio da Guerra Fria”, afirmou, destacando a ameaça de mísseis soviéticos.

Segundo Galante, a importância da Groenlândia cresceu ainda mais com o avanço tecnológico. Ele afirmou que, com os mísseis hipersônicos, “o tempo de detecção e engajamento diminuiu cinco vezes”. Por isso, disse que a ilha se tornou “duas vezes mais importante” do que no passado. A base de Thule, segundo ele, continua sendo peça-chave na defesa americana.

Galante afirmou que a Groenlândia hoje é essencial para o projeto Golden Dome, o escudo antimísseis do governo Trump. Disse que o programa recebeu “US$ 200 bilhões” e envolve uma indústria aeroespacial que “trabalha 24 horas por dia”. Citou inclusive investimentos locais em empresas de satélites voltados à detecção de ameaças. Para ele, o objetivo central é conter “o avanço da China e o avanço da Rússia”.

Na avaliação do vereador, os Estados Unidos passaram a agir porque aliados europeus não assumiram o controle da região. Disse que países da Otan foram pressionados a elevar investimentos militares de 2% para 5% do PIB, mas que há resistência, especialmente da Dinamarca. “Já que vocês não vão fazer o serviço, nós vamos”, resumiu, ao relatar a lógica americana.

Galante também afirmou que a opinião pública nos EUA diferencia retórica de resultados. Disse que parte da população vê Trump como “falastrão”, mas que o interesse real está em “o que isso muda na minha vida”. Segundo ele, há um centro político que nem sempre concorda com a forma como Trump se expressa, mas que entende “a importância estratégica da Groenlândia”.

O vereador destacou que os Estados Unidos “pagam 70% da conta da defesa da Europa” e questionou por que Washington não teria “um lugar na mesa” para decidir o futuro da região. Disse que empresas russas e chinesas já atuam na Groenlândia, com mineração, petróleo e pesca predatória. “São centenas de barcos destruindo ecossistemas”, afirmou.

Ao entrar no tema do Brasil, Galante afirmou que a agricultura passou a ser tratada como questão estratégica. Disse que acompanha o tema desde o ano passado, em articulação com autoridades americanas, e relatou denúncias envolvendo navios iranianos e chineses em portos brasileiros. Segundo ele, autoridades dos EUA já estão cientes desses episódios.

Galante afirmou que, se Estados Unidos, Brasil e Argentina atuassem de forma coordenada, responderiam por “quase 60% dos grãos exportados no mundo”. Disse que os EUA já avançam nesse diálogo com a Argentina, inclusive em temas de segurança regional, enquanto o Brasil “continua se aliando com China, Rússia e Irã”.

Para o vereador, o Brasil alcançou uma relevância geoestratégica inédita. Disse que o país “alimenta 1,2 bilhão de pessoas”, mas que “vende esse ativo muito barato”, especialmente à China. Segundo ele, isso gera riscos e mostra “miopia geoestratégica”.

Galante afirmou que, enquanto setores da esquerda criticam o imperialismo americano, “o imperialismo chinês avança”, citando inclusive a presença de um navio-hospital chinês no Brasil, que classificou como “risco de bioterrorismo inédito”. Para ele, falta preparo aos governantes brasileiros para atuar “num teatro global”.

Segundo Galante, o cenário atual exige estratégia de longo prazo. Disse que, sem isso, o Brasil corre o risco de ser apenas espaço de disputa entre potências, sem capacidade de decidir seus próprios rumos.

Assista ao programa na íntegra

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade