A Polícia Civil do Distrito Federal investiga três mortes ocorridas na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, após a própria instituição identificar circunstâncias suspeitas. As ocorrências levaram à prisão temporária de três técnicos de enfermagem, acusados de aplicar substâncias letais em pacientes internados.
De acordo com as apurações, os casos aconteceram entre novembro e dezembro de 2025 e foram descobertos por uma comissão interna do hospital. Câmeras de segurança, cujas imagens ainda não foram divulgadas, registraram comportamentos atípicos dos funcionários durante o expediente, o que motivou a criação de uma força-tarefa policial.
Segundo a investigação, um dos técnicos, de 24 anos, utilizava sistemas hospitalares em nome de médicos para prescrever medicamentos indevidos, retirar insumos na farmácia e aplicar substâncias diretamente nas veias das vítimas. Em um episódio, ele chegou a injetar desinfetante em uma paciente mais de dez vezes.
As duas colegas, de 22 e 23 anos, estariam cientes das ações e acompanhavam o desenrolar dos eventos, inclusive monitorando a presença de terceiros para evitar flagrantes.
O delegado Mauricio Iacozilli, responsável pelo caso, explicou que o principal suspeito também atuava em uma UTI neonatal de Brasília, o que levou a polícia a acelerar a investigação por temer riscos a bebês e crianças.
“Não podemos descartar que haja outras vítimas. Por isso, um novo inquérito será aberto para verificar ocorrências em outras unidades de saúde em que os investigados trabalharam”, afirmou.
As vítimas confirmadas até o momento são: uma professora aposentada de 75 anos, um servidor da Caesb de 63 anos e um homem de 33 anos, servidor dos Correios. Todos os pacientes apresentaram parada cardiorrespiratória logo após a aplicação das substâncias.
Em nota, o Hospital Anchieta ressaltou que, ao identificar os óbitos atípicos, instaurou um comitê interno para investigar os fatos.
“Em menos de vinte dias, foram coletadas evidências que indicaram a participação de ex-funcionários. Essas informações foram imediatamente encaminhadas às autoridades competentes, resultando na prisão dos envolvidos”, disse a instituição.
O hospital afirmou ainda que está colaborando integralmente com as investigações e mantendo contato com os familiares das vítimas, respeitando o segredo de justiça.
A Polícia Civil cumpriu os mandados de prisão e de busca e apreensão nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026.
O delegado Wisllei Salomão, da Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa, destacou que há provas robustas da intenção de matar, incluindo vídeos e análise de prontuários médicos que confirmam a manipulação indevida de medicamentos e a atuação dos suspeitos.
As autoridades ainda não identificaram a motivação dos crimes. Durante depoimentos, o principal suspeito alternou explicações, afirmando que estaria “aliviando o sofrimento” dos pacientes, apesar de que a primeira vítima estava consciente e sem risco iminente à vida.
