Os Estados Unidos afirmaram, durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realizada na quinta-feira (15), que não descartam nenhuma alternativa diante da repressão do governo iraniano aos protestos no país. O embaixador norte-americano na ONU, Mike Waltz, declarou que o presidente Donald Trump deixou claro que “todas as opções estão sobre a mesa para deter o massacre”.
Segundo Waltz, Washington apoia “o povo corajoso do Irã” e acompanha com preocupação as denúncias de mortes em larga escala durante a repressão às manifestações. Ele afirmou que Trump já foi informado sobre uma possível redução no número de vítimas e que, até o momento, não há indícios de execuções em massa, o que teria levado o governo americano a adotar cautela.
A dimensão da violência, no entanto, permanece incerta. O governo iraniano bloqueou o acesso à internet, o que dificulta a verificação independente das informações. Estimativas divulgadas nesta semana apontam que o número de mortos pode variar entre 2.400 e 12 mil após mais de duas semanas de protestos.
Durante o discurso, Waltz rejeitou as acusações de Teerã de que os atos seriam resultado de uma conspiração estrangeira.
“O regime está mais fraco do que nunca e espalha essa mentira por medo do poder do povo iraniano nas ruas”, afirmou. Segundo ele, a reunião foi convocada pelos EUA justamente para tratar da gravidade da situação no país.
O vice-embaixador do Irã na ONU, Gholamhossein Darzi, respondeu dizendo que Teerã não busca escalada nem confronto. Ele acusou os Estados Unidos de recorrerem a “mentiras, distorção dos fatos e desinformação deliberada” para encobrir o que chamou de interferência direta nos distúrbios internos.
Darzi alertou que “qualquer ato de agressão — direto ou indireto — será respondido de forma decisiva, proporcional e legal”.
Os protestos no Irã começaram em 28 de dezembro de 2025, inicialmente motivados pela crise econômica, marcada por inflação elevada, desvalorização da moeda e aumento do custo de vida. Com o avanço das mobilizações, as manifestações passaram a incluir críticas políticas, cobranças por reformas e pedidos por mais liberdade.
Nos últimos dias, as tensões entre Teerã e Washington se intensificaram após declarações de Trump em apoio aos manifestantes. Segundo a agência Reuters, os Estados Unidos passaram a retirar parte de seus funcionários de bases militares no Oriente Médio como medida de precaução.
