PF vê risco sistêmico no caso Master
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Justiça

PF vê risco sistêmico no caso Master

Relatórios indicam cessão de créditos milionários por empresas de capital ínfimo e repasses a familiar do controlador

PF identifica risco sistêmico no caso Banco Master, cita cessões suspeitas de créditos e transferência de R$ 9 milhões a pai de Vorcaro.
Foto: Banco Master/Divulgação

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Por Redação

A Polícia Federal apontou “fortes indícios” de desvio de recursos e risco sistêmico ao sistema financeiro nas investigações que envolvem o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. As conclusões constam de relatórios de inteligência financeira analisados no inquérito.

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Os documentos indicam que empresas com capital social considerado ínfimo cederam direitos creditórios de valores milionários a Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) vinculados ao banco. A PF também identificou movimentações classificadas como suspeitas, entre elas a transferência de R$ 9 milhões de um intermediário para Henrique Vorcaro, pai do controlador.

A operação foi autorizada pelo ministro do STF Dias Toffoli, que determinou mandados de busca e apreensão. Na decisão, o magistrado registra a existência de “fortes indícios de desvio de recursos e risco sistêmico ao sistema financeiro”.

Em nota, a defesa de Vorcaro informou que ele “tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes” e que atenderá às medidas judiciais “com total transparência”, reiterando confiança no devido processo legal.

O Ministério Público Federal afirmou que os fatos sob apuração indicam atuação de organização criminosa estruturada desde a década passada. Para os procuradores, o histórico reunido demonstra planejamento e escalada das condutas investigadas.

Toffoli destacou que o alcance das apurações supera o da Operação Compliance Zero, sob sua relatoria, ao apontar possível aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização.

A fase mais recente da investigação concentra-se nas relações entre o banco e fundos administrados pela Reag. Houve bloqueio e sequestro de bens que somam R$ 5,7 bilhões, com 42 mandados cumpridos em cinco estados. Os crimes apurados incluem organização criminosa, gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de capitais.

O banco expandiu captação com CDBs de até 140% do CDI, atraindo investidores. Hoje, cerca de 1,6 milhão de clientes aguardam ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Créditos, em um volume estimado de R$ 41 bilhões. Segundo as autoridades, o Banco Central monitorava a instituição desde 2024 por crise aguda de liquidez.

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