Nesta quinta-feira (15), durante o programa Alive, apresentado por Julia Lucy no YouTube, o desembargador Sebastião Coelho comentou a reação do pastor Silas Malafaia às declarações da senadora Damares Alves, que divulgou nomes citados em requerimentos apresentados na CPMI do INSS.
Ao analisar a fala da senadora, Coelho afirmou que Damares adotou um discurso sereno e em tom de pesar, ao tratar da possível participação de pessoas ligadas à fé evangélica nas investigações.
“A senadora Damares proferiu um discurso sereno, em tom de pesar. Ela expressou sua tristeza com a situação envolvendo a participação de indivíduos de sua fé, a evangélica, da qual também faz parte.”
Segundo o desembargador, a parlamentar ressaltou que todas as religiões reúnem pessoas de diferentes condutas e afirmou que não cabe generalização.
“Ela destacou que, em todas as religiões, há pessoas de diferentes naturezas. Acrescentou que o céu reservaria surpresas para aqueles que se consideram certos de sua entrada.”
Coelho também afirmou que a resposta da senadora às críticas feitas por Malafaia foi equilibrada e sustentada por dados oficiais.
“A resposta da senadora, em referência à manifestação do pastor Silas, foi ponderada e baseada em fatos.”
Ao tratar da reação do pastor, o desembargador avaliou que o tom adotado ultrapassou o necessário e gerou desconforto no meio evangélico.
“A fala do pastor Silas Malafaia foi excessivamente agressiva e desnecessária, gerando desconforto no meio evangélico.”
Ele afirmou que a liberdade de expressão deve ser preservada, mas ponderou que a forma utilizada foi ofensiva.
“A liberdade de expressão é fundamental, mas o tom empregado foi visto como ofensivo, especialmente dirigido a uma mulher.”
Coelho também fez referência à trajetória de Damares Alves, citando sua atuação anterior no governo e trabalhos ligados à defesa de direitos humanos e da família.
“A senadora Damares, ex-ministra de Direitos Humanos, realizou um trabalho notável, especialmente na Ilha do Marajó, e enfrentou ameaças por defender os direitos humanos e a família.”
Segundo ele, a parlamentar tem reconhecimento público e pessoal.
“Ela goza da consideração da população de Brasília e da minha pessoal, pelo caráter e dedicação como serva de Cristo.”
O desembargador voltou a criticar a postura do pastor em declarações públicas.
“Lamentavelmente, o pastor Silas Malafaia tem adotado uma linguagem agressiva, utilizando termos inadequados. Essa postura não se coaduna com a posição de liderança religiosa e política.”
E concluiu:
“No contexto cristão, espera-se moderação e prudência nas palavras, especialmente de um pastor.”
Também convidada do programa, a jornalista Cristina Graeml afirmou que o episódio expõe conflitos públicos entre atores que atuam no mesmo campo político e defendem pautas semelhantes.
“Essa é a parte ruim dessas discussões em público, especialmente entre pessoas que estão do mesmo lado do espectro político e lutam pelas mesmas causas.”
Graeml disse compreender as pressões enfrentadas pelos dois lados e avaliou que a ausência inicial de nomes específicos contribuiu para a reação.
“Quando não se citam os nomes, você lança suspeitas sobre pessoas que não têm nenhuma investigação e acaba colocando todo mundo no mesmo balaio.”
A jornalista afirmou que Damares cumpriu seu papel institucional ao divulgar as informações.
“A senadora fez o trabalho dela. É importante que a população saiba o que está sendo investigado.”
Sobre a reação de Malafaia, Graeml avaliou que houve excesso.
“O Silas foi longe demais no tom realmente agressivo. Precisava rebater no mesmo tom educado com que a Damares falou.”
O debate ocorreu após a divulgação, por Damares Alves, da lista de igrejas e líderes religiosos citados em requerimentos aprovados pela CPMI do INSS. A comissão apura fraudes em descontos indevidos e empréstimos consignados contra aposentados e pensionistas.
Segundo o presidente da CPMI, Carlos Viana, um balanço preliminar dos trabalhos deve ser apresentado em fevereiro. O encerramento está previsto para março, com possibilidade de prorrogação.
