O Irã alertou países vizinhos que abrigam tropas americanas que retaliará qualquer ataque contra seu território caso os Estados Unidos decidam intervir nos protestos internos, informou um alto funcionário iraniano à Reuters nesta quarta-feira (14).
Em resposta à escalada de tensão, militares destacados na Base Aérea de Al Udeid, no Catar, receberam orientação para se afastar temporariamente. Três diplomatas ouvidos pela agência afirmaram que a movimentação configura uma “mudança de postura” e não uma retirada em grande escala, como a que ocorreu antes de ataques de mísseis iranianos à mesma base em 2025. A medida foi confirmada pelo Escritório Internacional de Mídia do Catar.
O aumento das tensões acompanha uma onda de protestos que dura mais de duas semanas no Irã, deixando mais de 2.500 mortos, segundo organizações de direitos humanos. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou intervir caso manifestantes sejam executados e afirmou que “a ajuda está a caminho”.
Autoridades iranianas, por sua vez, acusam Washington e Israel de fomentar os protestos, enquanto o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que bases americanas e instalações israelenses seriam “alvos legítimos” se os EUA atacarem.
Neste âmbito, o Irã mantém contatos diplomáticos com Catar, Emirados Árabes Unidos e Turquia. Segundo a mídia estatal, o chanceler Abbas Araqchi afirmou que o país está pronto para negociações justas, mas também preparado para se defender caso haja intervenção militar.
Al-Udeid, localizada a cerca de 190 km ao sul do Irã, já foi alvo de ataques de retaliação iranianos em 2025, após bombardeios americanos a instalações nucleares. Atualmente, a base abriga cerca de 10 mil militares e civis e funciona como principal centro de operações aéreas americanas no Oriente Médio.
Segundo a ABC News, há cerca de 30 mil soldados americanos na região do Golfo, incluindo forças no Iraque e na Síria, além de seis navios da Marinha, três deles contratorpedeiros de mísseis guiados.
Além da pressão militar, Trump anunciou tarifas de 25% sobre produtos de países que mantêm negócios com o Irã e o Departamento de Estado orientou que cidadãos americanos deixem imediatamente o país.
