Erfan Soltani, de 26 anos, detido durante os recentes protestos contra o regime dos aiatolás, terá sua execução nesta quarta-feira (14), segundo informou a ONG curdo-iraniana Hengaw de Direitos Humanos. O jovem foi preso em 8 de janeiro em sua casa na cidade de Fardis, próxima à capital Teerã.
Sua família afirma não ter recebido informações sobre as acusações ou sobre qualquer audiência judicial, e que Soltani não teve acesso a um advogado.
“O tratamento apressado e pouco transparente deste caso aumenta a preocupação de que a pena de morte esteja sendo usada como instrumento de repressão”, declarou a Hengaw.
A organização também informou que Soltani será enforcado, método mais comum de execução no país.
Os protestos que ocorrem no Irã desde 28 de dezembro começaram como uma reação à inflação e à crise econômica, mas rapidamente se transformaram em manifestações contra o regime teocrático vigente desde a Revolução Islâmica de 1979.
Segundo grupos de direitos humanos, os atos já se espalharam por mais de 100 cidades e vilas em todas as 31 províncias, apesar do bloqueio quase total da internet, que dificulta a verificação de informações.
A repressão tem sido violenta. Autoridades iranianas admitiram, em declaração à Reuters, que cerca de 2 mil pessoas morreram durante os protestos. Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram ruas cheias de manifestantes, incêndios em prédios públicos e corpos empilhados em hospitais.
O chefe do Judiciário iraniano anunciou que tribunais especializados foram designados para lidar com os protestos, reforçando a percepção de que o sistema legal está sendo usado para conter a mobilização popular.
O alto comissário da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Volker Türk, descreveu a repressão como “horrível” e alertou para o risco de execuções em massa.
