INSS coloca sob suspeita mais de 250 mil contratos de consignado do Master
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Economia

INSS coloca sob suspeita mais de 250 mil contratos de consignado do Master

Crise do Banco Master e fraudes no BRB colocam em risco até R$ 30 bilhões em depósitos judiciais no DF e em quatro estados
Foto: Agência Brasil

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Por Redação

75% dos contratos informados pelo Master não tiveram comprovação apresentada

Investigação da área técnica do INSS identificou que mais de 250 mil contratos de crédito consignado firmados pelo Banco Master com aposentados e pensionistas não tiveram comprovação documental apresentada pela instituição de Daniel Vorcaro.

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Segundo o jornal O Estadão, que teve acesso ao material, os contratos sem comprovação correspondem a cerca de 75% de um total aproximado de 340 mil operações informadas pelo banco, no período entre outubro de 2021 e setembro de 2025.

A conclusão técnica do INSS é de que a ausência de documentação caracteriza “falha grave e insanável”, suficiente para colocar em dúvida a existência jurídica das operações e o consentimento dos beneficiários.

A análise aponta também, de acordo com o jornal, que o Master promoveu uma expansão acelerada da carteira de consignados em curto intervalo de tempo, sem o devido lastro documental.

Dados mostram que, até novembro de 2022, o banco de Vorcaro possuía apenas um contrato ativo com beneficiários do INSS. Em dezembro do mesmo ano, o número saltou para mais de 100 mil operações, crescimento considerado atípico pelos técnicos.

Além da inexistência física da maioria dos contratos, auditores do INSS verificaram que os poucos documentos disponíveis no sistema “e-Consignado” apresentavam modelo genérico e padronizado, sem informações essenciais ao consumidor, como taxa de juros, número de parcelas, limite de crédito e forma de pagamento.

Para o INSS, a prática viola princípios de transparência previstos no CDC e em Instrução Normativa do próprio instituto, editada em 2022.

O Master mantinha um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS desde 2020 para operar crédito consignado. A última renovação ocorreu em 2022, assinada pelo então diretor de Benefícios do instituto, Edson Yamada.

Em outubro do ano passado, o INSS decidiu não renovar o acordo, que expirou em 18 de setembro, retirando o banco de Daniel Vorcaro do credenciamento para novas operações de consignado.

Yamada é citado em investigações da PF sobre a “Farra do INSS” por manter sociedade com José Carlos Oliveira. Atualmente, o ex-ministro do Trabalho usa tornozeleira eletrônica.

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