Operação da PF e liquidação do Banco Master seguem em andamento
O Banco de Brasília (BRB) identificou que fundos de investimento oferecidos pelo Banco Master em Nassau (Bahamas) e na Ilha de Jersey não possuíam ativos nem liquidez, durante diligências realizadas para avaliar carteiras problemáticas. As informações foram reveladas pelo portal Metrópoles.
Segundo o BRB, na Ilha de Jersey os fundos estavam sem recursos desde 2023. Nas Bahamas, os auditores foram informados de que não existiam títulos do Tesouro americano ou ações de grandes empresas, e não tiveram acesso ao conteúdo real das aplicações.
As descobertas ocorreram pouco antes do Banco Central (BC) barrar a venda do Master ao BRB. A análise das chamadas “carteiras podres” motivou a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, em 18 de novembro, mesmo dia em que o BC decretou a liquidação do Master.
O valor total das carteiras suspeitas chegava a R$ 12,2 bilhões. Investigações indicam que o Master teria usado uma empresa de fachada para captar e revender papéis sem desembolsar recursos reais.
Em depoimento à Polícia Federal no STF, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, afirmou que o Master substituiu parte da carteira podre por novos ativos de R$ 10 bilhões, enquanto os R$ 2,2 bilhões restantes estavam em negociação quando a liquidação foi decretada.
Costa será ouvido novamente em 3 de fevereiro, para detalhar o valor dos ativos entregues na substituição da carteira e o prejuízo efetivo ao BRB.
O caso tramita sob sigilo no STF, com relatoria do ministro Dias Toffoli, e também é acompanhado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Na última segunda-feira (5), o ministro Jhonatan de Jesus determinou inspeção no BC sobre os documentos que embasaram a liquidação do Master. O BC recorreu nesta terça-feira (6), alegando que decisões desse tipo exigem deliberação colegiada.
