O vereador Rony Gabriel (PL), de Erechim (RS), denunciou uma suposta rede de influenciadores digitais contratados para criticar a decisão do Banco Central de liquidar o Master, de Daniel Vorcaro. Segundo a denúncia, aprofundada por Malu Gaspar no Globo, agências de marketing digital teriam oferecido somas, entre R$ 200 mil a R$ 3 milhões.
Levantamento publicado pela Folha, por sua vez, fala em 46 perfis, com atuação coordenada, na produção de memes e postagens ofensivas contra diretores do BC, seu presidente Gabriel Galípolo e o da Febraban, Isaac Sidney.
As publicações teriam atingido o auge na sequência de decisões polêmicas de Dias Toffoli, do STF, que chegou a determinar uma acareação sobre o caso e depois recuou, e de Jhonatan de Jesus, do TCU, que autorizou uma inspeção no BC para avaliar os procedimentos adotados e depois recuou.
Duas decisões que levaram a própria Febraban e outras entidades do mercado financeiro a divulgarem notas públicas de repúdio.
Na República Bostilheira, nada como um dia após o outro. Afinal, a possível existência de uma “milícia digital” constrangendo autoridades seria motivo suficiente para levar Alexandre de Moraes, nosso bastião da democracia, a abrir um inquérito como fez contra bolsonaristas, convocar as agências citadas e mandar Vorcaro de volta para a cadeia por tumultuar a instrução penal.
Moraes também poderia acionar seu amigo Dias Toffoli, com quem já fez dobradinha lá no inquérito da fake news, para desvendar a estratégia midiática do banqueiro.
O problema é que Moraes está envolvido no caso Master até o pescoço, já que sua esposa assinou com o banco um contrato de R$ 129 milhões. E Toffoli também tem problemas de imparcialidade, depois de ser flagrado de carona num jatinho com o advogado de um dos sócios do Master.
Também será difícil ver a Polícia Federal atuando contra um banco que tinha como conselheiro o próprio ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, ao menos enquanto ele ainda for ministro até a próxima sexta-feira.
Assim como a imprensa parece já ter esquecido esses fatos, já já essa história de milícia digital cairá no esquecimento. O mesmo deve ocorrer com a narrativa burlesca de desliquidação do Master, ato tecnicamente impossível e inócuo, considerando que a liquidez de qualquer banco depende de sua credibilidade.
