Brasil precisa reagir a líderes omissos no combate ao crime organizado
Durante o ALive desta segunda-feira (17), o apresentador Claudio Dantas afirmou que o Brasil “está num processo de mexicanização”, ao comparar a atuação dos narcoterroristas no país com a situação no México.
A declaração foi feita ao comentar o megaprotesto, tema do programa de hoje, que ocorreu em diversas cidades mexicanas contra a política de segurança do governo de Claudia Sheinbaum, após o assassinato do prefeito de Uruapan, Carlos Manzo, conhecido por defender medidas duras contra cartéis de drogas.
“Você pode também comparar com a atuação desses cartéis lá no México e a atuação do crime organizado aqui. Domínio territorial, infiltração na economia, infiltração nas instituições do Estado. Então, é muito parecido. Eu acho que o México começou esse processo antes da gente”, afirmou o jornalista.
O apresentador também criticou o discurso de líderes e manifestantes de esquerda que classificam como “golpe” toda manifestação contrária: “Quer dizer, tudo que é do outro lado, todo tipo de manifestação que é contra as lideranças de esquerda, vira golpismo, né? Então, isso significa que ninguém mais pode reclamar, pode enfrentar um poder corrupto, né? Um poder incompetente. Eleição, eleição é o momento que você escolhe, via urnas, etc. e tal, o gestor, a liderança política”.
Dantas reforçou que, quando a liderança política falha com o eleitor, é legítimo pressioná-la: “Agora, se essa liderança política trai o eleitor, trai o cidadão, ela precisa sofrer a pressão, até que renuncie. Sim, isso é golpismo. Vamos parar com essa conversa fiada”.
O jornalista questionou ainda a reação de lideranças de esquerda frente aos protestos no México e comparou com eventos históricos no Brasil: “Aliás, eu vi várias lideranças hoje, agora, nesse fim de semana aí de esquerda, chamando esses protestos no México de golpismo, e eu fico me perguntando o que eles falariam do Lindbergh lá na época do Collor com os caras pintados. Então, vamos parar com essa conversa fiada. E a nossa juventude precisa começar a, realmente, se colocar no debate”.
Dantas também alertou para uma “crise moral sem precedentes” no Brasil e criticou a atuação do Judiciário: “Uma perversão das instituições. O Judiciário que quer mandar o país inteiro, quer se infiltrar, quer interferir em decisões que não lhe dizem respeito, igual o que está acontecendo agora com o [Alexandre de] Moraes, querendo paralisar a investigação da Polícia Civil sobre o que aconteceu lá na operação, é, contenção no Rio de Janeiro”.
“É mais um avanço. Um avanço sobre as instituições, um avanço antidemocrático. E a gente precisa reagir”, completou, destacando que cidadãos e juventude do Brasil devem “reagir”: “Onde vai parar isso aqui?”.
“A omissão, muitas vezes, de uma liderança política, como aconteceu com o Lopes Obrador e agora com a Claudia [Sheinbaum], ela permite, da mesma maneira que o crime avance, ocupe espaço, ocupe espaço institucional, econômico, espaço de poder. Em detrimento do cidadão, em detrimento da representatividade do cidadão, da representação política, em detrimento de tudo”.
“Porque, se o crime organizado ocupa esses espaços, significa que a sociedade vai eleger deputados que são candidatos do crime, não da sociedade. E nós temos esse fenômeno já acontecendo aqui”, destacou.
“Basta ver como parlamentares, deputados e senadores [do Brasil] reagem a uma operação como a do Cláudio Castro”, exemplificou. “De forma virulenta. Se colocando, o que? Do lado do criminoso. Agora estão reagindo a história de acabar com o auxílio para as famílias dos criminosos. O auxílio-reclusão”.
“Quer dizer, tudo em benefício do criminoso, nada em benefício da vítima do criminoso. Então, a gente tem deslegitimação desses parlamentares no debate público. Porque eu não posso permitir que, num Estado Democrático de Direito, um parlamentar defenda o criminoso. É inegociável isso. Inegociável. E eu espero que as lideranças de oposição comecem a deixar isso claro e na cara desses parlamentares”, reforçou o jornalista.
“Eu quero ver dedo em riste. Eu quero ver deputados subindo na tribuna e nominando. Como nós fazemos aqui. Porque isso é inadmissível. Nós não podemos ter representantes do crime ocupando o mandato. Não podemos ter um partido financiado pelo crime. Não podemos ter criminosos dentro da Polícia Federal, do Ministério Público, do Judiciário. Isso é inegociável, gente. Não dá pra tolerar esse tipo de coisa”.
