Denúncia sigilosa cita isolamento e perda de funções
O defensor público-geral da União, Leonardo Cardoso de Magalhães, apontado como o nome favorito do Presidente Lula para ser reconduzido ao comando da Defensoria Pública da União (DPU), responde a acusações de assédio moral apresentadas por uma defensora da própria instituição, segundo apurou a Revista Oeste.
A apuração corre em sigilo na Corregedoria desde março, após envio pela comissão interna de prevenção a assédio, discriminação e violência política. A recondução para o biênio 2026–2028 deve ser definida em breve.
Segundo a reportagem, a denunciante relata episódios de isolamento, constrangimentos, obstrução de atividades e perda de atribuições ocorridos em 2024, ano em que Magalhães assumiu o posto.
Em setembro, ela recorreu à Justiça Federal para obter acesso aos autos, alegando “clara revitimização institucional” diante da falta de transparência. O caso foi revelado em 21 de setembro pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo.
Tentativas de conter desgaste
A Associação das Mulheres Defensoras Públicas do Brasil foi informada e buscou apoio de órgãos do governo, como a Advocacia-Geral da União e a Secretaria de Relações Institucionais, sem retorno efetivo. Pessoas próximas ao caso avaliam que houve esforço para que a questão não chegasse ao conhecimento direto do Presidente Lula, responsável por indicar o chefe da DPU.
O que diz a DPU
A DPU afirmou que eventual procedimento tramita em sigilo para garantir a imparcialidade e preservar a dignidade dos envolvidos. A instituição também associou o episódio ao contexto eleitoral interno, quando divergências “tendem a se manifestar em forma de acusações”, e rechaçou a “espetacularização” de qualquer processo.
No dia 12 de setembro, Magalhães liderou a votação da lista tríplice com 486 votos, seguido por 279 e 251 votos. A indicação final cabe ao Presidente Lula e, se confirmada, é submetida ao Senado. A decisão sobre a chefia da DPU para 2026–2028 é aguardada nos próximos dias.
