Rubens admite repasses de R$ 1,8 mi da Prospect para a Vênus
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Rubens admite repasse de R$ 1,8 mi de empresa ligada ao “Careca do INSS”

Rubens Oliveira Costa em pronunciamento à mesa. Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Rubens Oliveira Costa em pronunciamento à mesa. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

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Por Marília Rodrigues

Em nova rodada da CPMI do INSS, administrador confirma emissão de notas, mas mantém silêncio em pontos que podem incriminá-lo

Rubens Oliveira Costa confirmou na CPMI do INSS que era administrador da Vênus Consultoria e descreveu suas funções como “gestão documental, registro e envio à contabilidade”. Disse ter em mãos os registros e se dispôs a repassá-los à comissão. Negou ter tratado das investigações com Alexandre Guimarães ou ter sofrido qualquer ameaça. Afirmou não se lembrar da última vez em que viu Antônio Carlos Camilo (“Careca do INSS”), mas disse que foi antes de abril.

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O empresário afirmou na sessão que já foi ouvido pela Polícia Federal e respondeu a todas as perguntas no inquérito. Diante do relator Alfredo Gaspar (União-AL), disse não ver “dois pesos e duas medidas” entre PF e CPMI, mas reiterou que usará o direito ao silêncio em temas que possam incriminá-lo: “As informações estão no inquérito e é por lá que devo responder”.

Fluxo de pagamentos e conexões

Questionado sobre a Prospect, outra empresa que aparece nos inquéritos, Rubens declarou que a Vênus recebeu cerca de R$ 1,8 milhão da empresa ligada a Antônio (Careca do INSS). Segundo ele, os repasses foram mensais, “à medida que se emitia as notas fiscais”, e ele próprio emitia as notas e as encaminhava ao financeiro da Prospect. Disse que “quem passava o valor era o Sr. Alexandre” e confirmou possuir as notas, comprometendo-se a entregá-las à CPMI.

“À medida que se emitia as notas fiscais, mês a mês, ele (Careca) era remunerado. (…) Eu era responsável pela emissão das notas fiscais. (…) Quem passava o valor era o Sr. Alexandre, eu só emitia as notas e direcionava ao financeiro da Prospect”, disse ao relator.

Rubens afirmou que a contratação era para “produção de material de educação financeira”. Disse que a Vênus (na pessoa de Alexandre Guimarães) prestava o serviço para a própria Prospect, mas não soube informar o destinatário final do material além da contratante.

Rubens disse que a Vênus contava com cerca de 100 funcionários. Relatou ainda ter sido indicado por Careca para uma empresa em Curitiba, a Curitiba Consultoria. Afirmou que o escritório ficava na capital paranaense, mas declarou nunca ter estado na cidade.

Choques na oitiva

No embate com o relator, Rubens o direito ao silêncio em questões sobre encontros e orientações recebidas com Alexandre Guimarães e Careca. Gaspar insistiu em esclarecer a origem e o destino dos recursos. O presidente Carlos Viana (Podemos-MG) interveio para garantir a ordem e prosseguir com os questionamentos.

A CPMI poderá requisitar as notas fiscais citadas por Rubens para cruzamento com extratos e contratos da Prospect e da Vênus. A tendência é avançar no mapeamento do material de “educação financeira” e na trilha de pagamentos mensais .

 

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