A decisão de renomear o projeto de anistia para “PL da Dosimetria” e a articulação do texto por figuras como Aécio Neves e Michel Temer geraram questionamentos entre os apoiadores da proposta.
A comentarista Carol Sponza, do programa Alive do canal Cláudio Dantas, expressou perplexidade com a presença de Aécio Neves (PSDB-MG) na reunião com o ex-presidente Michel Temer e o relator do projeto, Paulinho da Força (Solidariedade-SP). A reunião aconteceu na noite de quinta-feira (18), em São Paulo.
Sponza questionou o papel do ex-senador tucano na articulação. “Eu quero perguntar, quem é Aécio Neves na fila do pão?”, brincou, reforçando o fato de que a figura de Aécio, historicamente distante do bolsonarismo, esteja envolvida na redação de um projeto que busca reduzir penas de condenados nos atos de 8 de janeiro. “O que isso significa? Que mensagem isso tem para a população?”, questionou a comentarista.
Após a reunião, em um vídeo publicanos nas redes sociais, o ex-presidente Michel Temer classificou a iniciativa como um “pacto republicano” para pacificar o país, uma terminologia que Marsiglia considera inadequada.
O jurista André Marsiglia também criticou a reunião, observando que a pauta, que originalmente era da oposição, agora parece estar nas mãos do Centrão.
“A oposição foi marginalizada, excluída do próprio projeto?”, questionou, ao notar que o texto é relatado por Paulinho da Força, escrito por Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) e, agora, articulado por Temer e Aécio.
Marsiglia ressaltou que a oposição parece ter aceitado a mudança de rumo e a “dosimetria” como solução sem debater publicamente. “O que ocorreu com a oposição? A oposição foi manipulada, ou negociou previamente e não está revelando?”, afirmou.
Ele concluiu que, embora a iniciativa seja para “pacificar” o país, a exclusão da população, em especial dos bolsonaristas, da discussão pode levar a uma revolta ainda maior.
O novo nome do projeto, “PL da Dosimetria”, reflete a mudança de foco, segundo o deputado Paulinho da Força. A intenção não seria mais “perdoar os crimes”, mas sim reduzir as penas dos condenados, o que poderia beneficiar inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro.
