Presidente pede calma e diálogo após renúncia do premiê KP Oli
Rajyalaxmi Chitrakar, a esposa do ex-primeiro-ministro do Nepal Jhalanath Khanal não resistiu a queimaduras graves após a casa da família em Katmandu ser incendiada durante protestos violentos no país, segundo o portal local Khabarhub. Levada em estado crítico ao Hospital de Queimados de Kirtipur, Rajyalaxmi acabou falecendo, de acordo com familiares.
A onda de manifestações tem provocado destruição em larga escala e já levou à renúncia do primeiro-ministro KP Sharma Oli. Entre os alvos incendiados por manifestantes estão prédios governamentais estratégicos, como o Parlamento Federal e o gabinete da Presidência, também na capital.
De acordo com o jornal The Himalayan Times, o presidente Ram Chandra Paudel fez um apelo público nesta terça-feira (9) por uma saída pacífica.
“Eu conclamo todos os lados a manter a calma, evitar mais danos à nação e sentar à mesa de negociações. Em uma democracia, as demandas dos cidadãos podem ser atendidas pelo diálogo”, afirmou em comunicado oficial.
O Exército do Nepal também pediu contenção, principalmente aos jovens, para proteger o patrimônio histórico e cultural do país. Nos últimos dois dias, os protestos resultaram em pelo menos 19 mortes e mais de 500 feridos em confrontos próximos ao Parlamento e em outras regiões de Katmandu.
As manifestações começaram nesta segunda-feira (8), após o governo impor um bloqueio a 26 redes sociais, incluindo Facebook, Instagram, WhatsApp e YouTube, sob a justificativa de combater desinformação e garantir arrecadação tributária. A decisão foi interpretada pela população como ataque à liberdade de expressão e tentativa de silenciar a dissidência.
Os manifestantes exigem o fim da corrupção institucionalizada e maior transparência nas decisões políticas. Para conter o aumento da violência, o governo decretou toque de recolher em diversas cidades, incluindo Katmandu, mas a repressão não conseguiu reduzir a insatisfação popular.