Número da diplomacia americana disse que pressa deve ser feita sobre governo brasileiro
Em uma missão a Washington para tentar reduzir as tarifas impostas ao Brasil, um grupo de empresários brasileiros se reuniu na tarde desta quarta-feira (3) com Christopher Landau, número 2 do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Na conversa, Landau deixou claro que as sobretaxas de 50% aplicadas ao país são de natureza política, e não comercial, frustrando a expectativa de uma solução rápida.
Segundo o vice-secretário, as razões para as tarifas estão explícitas no decreto do ex-presidente Donald Trump, que as justificou como uma resposta à “caça às bruxas” contra Jair Bolsonaro e a decisões do ministro Alexandre de Moraes.
Landau não citou nominalmente o ex-presidente, mas enfatizou que o incômodo do governo americano está atrelado a decisões do Judiciário que eles consideram como censuras a empresas e cidadãos americanos. As informações são da Folha de SP.
Participaram da reunião o presidente da CNI, Ricardo Alban, o representante da Amcham, Abrão Neto, e o ex-diretor da OMC, Roberto Azevêdo. Landau aconselhou os empresários a fazerem lobby junto às autoridades brasileiras para sensibilizá-las sobre essa avaliação do governo americano.
O diálogo, segundo o vice-secretário, precisa passar por questões políticas, algo que o presidente Lula (PT) já afirmou que não fará.
Ricardo Alban confirmou o teor da reunião e admitiu não ter expectativas de uma redução das tarifas no curto prazo. No entanto, ele afirmou ter visto um novo caminho para o diálogo, que passa pela discussão da regulação das big techs.
O presidente da CNI se comprometeu a levar o recado de volta ao governo brasileiro, mesmo com a atual tensão política. A fala de Landau, para Alban, ressalta que a pressão americana por um “alívio” a Bolsonaro, que enfrenta um julgamento no STF, é o ponto central da retaliação comercial.
