Em depoimento à Comissão de Segurança Pública do Senado, o ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, revelou ter temido por sua vida enquanto trabalhava com o ministro Alexandre de Moraes.
Tagliaferro, que foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por crimes como tentativa de golpe de Estado e violação de sigilo funcional, afirmou que precisou demonstrar alinhamento com determinadas posições para garantir sua segurança pessoal e ter acesso a materiais de trabalho.
“Precisei em muitos momentos me fazer de um deles, de mostrar que eu estava inteirado, que eu estava empenhado no desejo dele, até mesmo para poder adquirir confiança e ter acesso a todo esse material”, relatou Tagliaferro.
Ele justificou a conduta como necessária para poder, no futuro, denunciar o que presenciou, e afirmou que, caso tivesse agido de forma diferente, “talvez até teria minha vida ceifada”. Tagliaferro, que vem participando de diversas entrevistas para acusar Moraes, reforçou seu medo ao se colocar à disposição do Congresso para outras audiências, com a ressalva de que participará “desde que eu esteja vivo”.
Como exemplo de perseguição, ele citou um caso em que o ministro Cristiano Zanin, na época advogado de Lula, foi hostilizado em um aeroporto e Alexandre de Moraes teria solicitado que a Polícia Federal identificasse a pessoa que o ofendeu, uma ação que Tagliaferro considerou “um absurdo” e fora da competência do magistrado, já que Zanin não tinha foro privilegiado.
