Montadoras alertam Lula que medida pró-China ameaça cerca de 50 mil empregos - Claudio Dantas
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Brasil

Montadoras alertam Lula que medida pró-China ameaça cerca de 50 mil empregos

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Por Redação

Executivos criticam política que privilegia veículos com peças 100% importadas

Os presidentes das quatro principais montadoras instaladas no Brasil, Volkswagen, Toyota, General Motors e Stellantis, enviaram uma carta ao presidente Lula em 15 de junho, denunciando o impacto de uma medida prestes a ser adotada pelo governo. O alerta é sobre uma norma articulada pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, que pretende incentivar a produção de veículos com peças 100% importadas.

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Segundo o setor, a medida abrirá espaço para o chamado sistema SKD (Semi Knocked Down), em que os carros chegam quase prontos do exterior, exigindo mínima participação da indústria local. O maior benefício ficaria com as montadoras chinesas, que pouco contratam fornecedores brasileiros e geram baixa oferta de empregos.

No documento, assinado por Ciro Possobom (Volkswagen), Evandro Maggio (Toyota), Emanuele Cappellano (Stellantis) e Santiago Chamorro (GM), os executivos afirmam que a política ameaça investimentos recém-anunciados de R$ 180 bilhões. Pelo menos R$ 60 bilhões podem ser cortados, além da suspensão de 10 mil novas contratações e a demissão de 5 mil empregados atuais.

O efeito dominó, segundo a carta, pode ser ainda maior. Para cada trabalhador desligado nas montadoras, outros 10 empregos seriam perdidos na rede de fornecedores, resultando em até 50 mil cortes na cadeia automotiva.

“Essa prática deletéria pode disseminar-se em toda a indústria, afetando diretamente a demanda de autopeças e de mão de obra”, alertam as empresas.

As montadoras pedem que a política industrial brasileira priorize a produção nacional, vetando privilégios para veículos desmontados ou produzidos no exterior com subsídios. Até o momento, Lula não respondeu ao manifesto, que também foi encaminhado ao vice-presidente e ministro da Indústria, Geraldo Alckmin, e a Rui Costa.

O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), órgão ligado ao governo, marcou para quarta-feira (30) uma reunião extraordinária para deliberar sobre pleitos da montadora chinesa BYD.

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