Estudo projeta retração de quase 6% no PIB e caos no setor produtivo
Um confronto tarifário entre Brasil e Estados Unidos pode custar até 5 milhões de empregos e provocar uma queda de R$ 667 bilhões no PIB nacional ao longo da próxima década. O alerta veio da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), que divulgou nesta quarta-feira (23) um estudo com estimativas caso o governo Lula insista em retaliar as sanções anunciadas por Donald Trump.
A partir de 1º de agosto, os EUA devem aplicar uma tarifa de 50% sobre uma série de produtos brasileiros. Em resposta, o presidente Lula chegou a cogitar a adoção de medidas similares contra produtos americanos, o que, segundo economistas, agravaria a crise econômica e o desemprego no país.
De acordo com o levantamento da Fiemg, mesmo uma retaliação parcial já seria suficiente para causar retração de 2,21% no PIB, perda de quase 2 milhões de vagas de trabalho e queda de R$ 36 bilhões em rendimentos da população. Além disso, a arrecadação federal sofreria um baque de R$ 7,2 bilhões.
“Uma retaliação mal planejada pode gerar efeitos colaterais significativos para a economia brasileira. Setores com alta exposição ao mercado externo seriam diretamente impactados e, com eles, empregos e cadeias produtivas inteiras”, disse Felipe Vasconcellos, da Equus Capital, ao Estadão.
Caso o presidente Trump eleve as tarifas para 100%, como já sinalizou, e o Brasil mantenha o patamar de 50%, o impacto pode ser ainda mais severo, podendo chegar a uma retração de 2,49% no PIB e corte de mais de 2 milhões de empregos. A situação se agrava no cenário extremo, com os dois países impondo tarifas de 100% e fuga de investimentos internacionais, o que levaria a um tombo de 5,68% na economia brasileira.
“O Brasil e os Estados Unidos são parceiros estratégicos. Responder com a mesma moeda pode gerar efeitos inflacionários devastadores. Por isso, o caminho mais inteligente é a diplomacia”, afirmou Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, ao Estadão.
Além das projeções da Fiemg, uma análise da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com apoio da CNI e da XP Investimentos, já previa perdas de R$ 19,2 bilhões no PIB e 110 mil empregos apenas com a aplicação das tarifas iniciais de 50% pelos EUA, mesmo sem qualquer retaliação brasileira.
