Apesar de rejeição técnica desde 2023, estatal recebeu sinal verde
A direção do Ibama autorizou a Petrobras a realizar testes na Foz do Amazonas com base em um parecer alternativo, ignorando recomendações técnicas do próprio órgão, que desde 2023 apontam falhas no plano da estatal.
O teste de simulação de vazamento é a última etapa antes do início da exploração de petróleo na região.
A liberação, revelada pela Folha de S.Paulo, contradiz pareceres técnicos emitidos em outubro de 2024 e fevereiro deste ano, que indicavam deficiências no projeto, como subestimação de riscos ambientais, falhas logísticas e desconsideração das condições climáticas.
Ainda assim, em 19 de maio, a diretoria de licenciamento do Ibama relativizou os problemas e defendeu uma aprovação conceitual, que foi rapidamente formalizada pela presidência do órgão.
Em nota à imprensa, o Ibama alegou que o processo segue com “absoluta segurança técnica e jurídica” e que o plano da Petrobras “atendeu aos requisitos técnicos”. A estatal solicitou que a simulação no bloco 59 ocorra em julho, mas a data ainda não foi confirmada oficialmente.
O avanço do projeto ocorre em meio a forte interferência política. O presidente Lula defende publicamente a exploração de petróleo na região. Ministros como Alexandre Silveira (Minas e Energia) e Rui Costa (Casa Civil) pressionam pela liberação. O senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) articulou emenda para flexibilizar o licenciamento ambiental, abrindo caminho para outros empreendimentos semelhantes.
O próximo leilão de petróleo da região, marcado para o dia 17, é tratado como prioridade pelo governo, que busca aumentar a arrecadação. Técnicos do Ibama, no entanto, criticam o processo, alegando que os critérios técnicos foram ignorados em nome de interesses políticos.
