Repórter do Intercept usa celular de funcionário do Planalto para abordar exilados - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Repórter do Intercept usa celular de funcionário do Planalto para abordar exilados

Foto: Reprodução/Intercept Brasil

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Por Redação

O repórter Paulo Motoryn, do Intercept Brasil, publicou uma série de reportagens expondo brasileiros exilados na Argentina por envolvimento nos atos de 8 de Janeiro. Os conteúdos foram divulgados nas últimas semanas.

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Durante abordagem nas ruas de Buenos Aires, Motoryn forneceu um número de telefone aos brasileiros entrevistados. O CPF cadastrado nesse contato não é o dele, mas sim de Gabriel Gattas Guerra, funcionário da Presidência da República do Brasil.

Desde o 1º ano do novo governo Lula, Guerra ocupa o cargo de coordenador-geral de redes na Secretaria Nacional de Participação Social, com um salário mensal superior a R$ 11 mil.

Questionado pela revista Oeste, Motoryn confirmou o uso do telefone vinculado ao membro do governo petista. Ele justificou que teve um “relacionamento no passado” com o funcionário da Presidência e, por esse motivo, mantém o número como seu contato profissional, afirmando que é “muito antigo”.

Entre os exilados abordados por Motoryn está Josiel Gomes de Macedo, que foi abordado na Avenida Roque Sáenz Peña, conhecida como Diagonal Norte, uma das vias mais movimentadas de Buenos Aires. Macedo chegou à Argentina em 2023 e obteve asilo político temporário, concedido pelo Conselho Nacional de Refugiados, garantindo-lhe o direito legal de trabalhar no país.

Apesar disso, Motoryn foi até a sede da empresa onde Macedo trabalhava, a “BitenTour”, uma agência de turismo fundada por brasileiros. De acordo com informações da Oeste, o jornalista teria questionado os empregadores sobre “abrigar um terrorista” e “empregar um foragido da Justiça”, afirmando que divulgaria a informação na imprensa brasileira.

Diante da situação, os empresários decidiram demitir Macedo no mesmo dia.

Em um áudio obtido pela revista, os donos da agência relataram que a decisão foi motivada pela intimidação de Motoryn e pelas dezenas de mensagens de ameaça recebidas nas redes sociais, nas quais eram acusados de “ajudar golpistas”.

Após a intervenção do jornalista do Intercept, outras três exiladas brasileiras também perderam seus empregos. Uma delas, de 59 anos, trabalhava havia 8 meses em outra agência de turismo, mas os empregadores optaram por encerrar o contrato por receio de sofrer represálias semelhantes às enfrentadas pela “BitenTour”.

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