Suedna Barbosa Carneiro, 41, conhecida como “Mainha do Crime”, pagava até R$ 2.200 por celular roubado, segundo inquérito da Polícia Civil. Presa desde fevereiro, ela é apontada como chefe de uma quadrilha especializada em roubos e receptação de eletrônicos em São Paulo. O grupo também é investigado por envolvimento na morte do delegado Josenildo Belarmino de Moura Júnior.
Os valores variavam conforme o modelo do iPhone e se permitia troca de chip. Um iPhone 11 sem essa opção era comprado por R$ 250, enquanto um 15 Pro Max com gaveta para chip chegava a R$ 2.200. “Ela comprava os celulares e ainda fornecia armas e motos para os assaltos”, disse o delegado Marcel Druziani, do 11º DP (Santo Amaro).
Suedna foi presa em Paraisópolis, zona sul da capital, com três revólveres, 18 celulares, R$ 21 mil, computadores, motos e joias. Apesar das evidências, negou fomentar a quadrilha. “Ela fornecia armamento e comprava os produtos roubados”, afirmou Druziani.
O secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, criticou a legislação que permitiu que Suedna estivesse em liberdade após ser presa por posse ilegal de arma em 2023. “É uma vergonha uma pessoa presa por porte de arma estar solta pela fragilidade da nossa lei”, disse.
A investigação começou após o latrocínio do delegado Josenildo, em janeiro, quando policiais analisaram imagens de câmeras de segurança e identificaram a rota da quadrilha. O grupo partia de Paraisópolis para bairros nobres como Campo Belo e Santo Amaro. “Ela fomenta essa rede criminosa, contrata ladrões e revende os produtos roubados”, explicou o delegado.
O modus operandi da quadrilha também é semelhante ao crime que vitimou o ciclista Vitor Medrado, morto no Itaim Bibi. Dois assaltantes de moto se aproximaram e dispararam contra Medrado antes de levar seu celular. “Não anunciaram o assalto, já chegaram atirando”, disse uma testemunha.
Medrado, de 39 anos, era empresário e entusiasta do ciclismo. Ele treinava regularmente pelas ruas de São Paulo e já havia sido assaltado outras vezes. No dia do crime, estava pedalando na avenida Juscelino Kubitschek quando foi abordado. Os criminosos fugiram em alta velocidade e o ciclista não resistiu aos ferimentos. O caso gerou revolta entre ciclistas e moradores da região, que cobram mais segurança.
A polícia segue investigando o caso e busca identificar outros integrantes do esquema. “Não vamos parar enquanto não prendermos todos os envolvidos”, afirmou Derrite.
